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Valor do aluguel de loja despenca na Savassi

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

EMPECILHO – Com o valor da locação em R$ 25 mil, casarão tombado pelo patrimônio histórico e que já abrigou vários restaurantes na Savassi mantém portas fechadas

http://gestor-imobiliario.blogspot.com.br/2017/02/valor-do-aluguel-de-loja-despenca-na.html

A crise empurrou para baixo o valor dos aluguéis comerciais em Belo Horizonte. Pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir dos anúncios no site Zap Imóveis na capital mineira, mostra que o preço de locação no segmento comercial caiu 6,41% no ano passado. Levando-se em conta que a inflação foi de 6,3% no período, a perda de valor do aluguel chega a aproximadamente 13%.

Considerada o coração comercial da cidade, a Savassi é um espelho da nova realidade de baixa procura por locação e queda nos valores do aluguel. Por lá, onde placas de “aluga-se” viraram rotina, os aluguéis estão entre 30% e 50% mais baratos, segundo corretores e lojistas.

“Desde 2015 o setor retraiu bastante. Muitas lojas fecharam e andares e salas ficaram vazios, trazendo uma grande quantidade de imóveis de volta ao mercado. E se a oferta subiu por um lado, do outro a procura caiu muito, o que tem reflexos nos preços”, diz o gerente de Novos Negócios de Locação da Casa Mineira, Luiz Carlos de Araújo.

Segundo ele, imóveis comerciais que em 2015 eram alugados por R$ 70 a R$ 80 o metro quadrado, hoje são ofertados por valores entre R$ 40 e R$ 50. “Num determinado momento, de 2013 a 2014, muitas lojas na Savassi tinham até fila de espera. Com o cenário atual, antigos locatários entregaram o ponto e os proprietários que não querem deixar os imóveis ociosos têm que se adequar à realidade. Há casos em que o valor foi reduzido pela metade”, afirma.

O tempo de espera por um novo inquilino também aumentou. “A demora na Savassi varia de quatro a seis meses. Mas em outros bairros, há casas comerciais que levam até dois anos para alugar. A crise e o desemprego fazem com que as pessoas fiquem mais receosas, mas para quem busca uma oportunidade essa é a hora de barganhar”, diz Araújo.

Depois que uma mineradora desocupou alguns andares do prédio onde funciona uma lanchonete do McDonald`s, em um dos pontos mais nobres do bairro, o proprietário se viu obrigado a reduzir em 40% o valor do aluguel. Na Tomé de Souza, o aluguel de uma loja que era de R$ 8 mil passou para R$ 5 mil após a saída do último locatário.

Há 37 anos na Savassi, o comerciante Nilo Fantini, da Fantini Relojoaria e Presentes, diz que os proprietários estão finalmente caindo na real. “O dinheiro está curto para todo mundo. Aqui na avenida Getúlio Vargas mesmo tem loja que custava entre R$ 7 mil e R$ 8 mil e agora está por R$ 5 mil, até R$ 4,5 mil”, diz.

Vizinho de Fantini, um casarão tombado pelo patrimônio público já teve vários inquilinos nos últimos tempos, inclusive o restaurante Boi Savassi. “Mais recentemente foi um CineBar e um outro restaurante. Mas nada foi pra frente”, lamenta a vendedora de uma ótica ao lado. O motivo pode ser o preço. O aluguel custa R$ 25 mil.

Para atrair inquilinos, imobiliárias concedem carência de até seis meses para a cobrança
Na falta de inquilinos dispostos a pagar pequenas fortunas pelo aluguel, a saída é oferecer vantagens e algumas regalias para fechar negócio e não deixar o imóvel ocioso.

Segundo a diretora da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi), Flávia Vieira, existe atualmente o entendimento de proprietários e investidores de que é preciso ter uma flexibilização para firmar um contrato.

“Hoje em dia, uma das estratégias utilizadas é oferecer uma carência maior, que pode chegar a até seis meses. Isso alivia o inquilino, que ganha um tempo extra para reformar a loja, adequar o espaço e se estabelecer antes de começar a pagar o aluguel”, afirma.

Até então, o prazo de carência estabelecido nos contratos normalmente não passava de 30 dias.

A garantia também tem sido flexibilizada para facilitar a vida do cliente que deseja alugar um imóvel para fins comerciais.

“Cada vez mais modalidades tradicionais, como a figura do fiador, vem perdendo espaço para outras alternativas, como seguro fiança e títulos de capitalização”, diz Flávia.

Estratégias
Para a diretora do CMI/Secovi, a adoção dessas medidas é uma maneira para enfrentar a crise. “Antes, na Savassi, por exemplo, tinha quatro, cinco candidatos para um imóvel. Mas o cenário mudou. E imóveis que tradicionalmente nunca ficavam vagos hoje estão. Então é essencial ter flexibilidade”, afirma.

Aluga-se
Em um dos pontos mais nobres da Savassi, no quarteirão fechado da rua Antônio de Albuquerque, entre a rua Alagoas e a avenida Cristóvão Colombo, uma loja fechada há meses é o retrato da consequência da irredutibilidade do proprietário.

“O pessoal na vizinhança está dizendo que estão pedindo R$ 15 mil pelo ponto. Não é à toa que está vazia há tanto tempo”, disse uma vendedora de roupas de uma loja ao lado.

Para o corretor da RE/MAX Class Maurício Ribeiro, a recessão foi a gota d` água para uma situação que começou lá atrás, desde a mudança dos servidores dos prédios da Praça da Liberdade para a Cidade Administrativa, em 2010.

Depois disso, grandes bancos e escritórios de importantes empresas também foram saindo, até que veio o pior da crise.

No entanto, após um 2016 fraco, Ribeiro aposta que a tendência é de um ano melhor para o setor imobiliário na região, com estabilização de preços.

“A Savassi tem charme e potencial. Pequenos ajustes na limpeza e nas áreas de estacionamento já melhorariam muito o ambiente. Por isso apostamos em uma retomada já em 2017”, diz.

Além disso
O mercado de salas e conjuntos comerciais sofreu uma forte deterioração em 2016 diante dos efeitos da crise econômica nacional. Os imóveis tiveram queda de 3,21% nos valores de venda e baixa de 7,92% nos preços de locação.

Os dados fazem parte de pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir dos anúncios no site Zap Imóveis.

O levantamento engloba escritórios de até 200 metros quadrados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, além de Belo Horizonte.

Na cidade de São Paulo, maior mercado imobiliário do país, os preços de venda e de locação recuaram 2,44% e 7,07%, respectivamente.

Em Belo Horizonte, as baixas foram de 2,72% e 6,41%, na mesma ordem. Já Porto Alegre teve queda de 0,20% nos preços de venda e alta de 4,52% nos aluguéis.(HD)

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