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Com crise, aluguéis mais baratos...

sábado, 5 de setembro de 2015

O cenário econômico, que combina recessão com inflação alta, tem feito aflorar uma prática pouco comum em tempos de vacas gordas: negociações entre inquilinos e proprietários para reduzir os preços dos aluguéis. 

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Desde 2010, os aumentos cobrados pela locação de imóveis vem desacelerando, de acordo com os dados do Índice FipeZap, que acompanha o preço de locação de imóveis em nove cidades do país. Naquele ano, os aluguéis subiram em média, 18,56%. Em 2011, 17,30%. No ano seguinte, 10,58% e, em 2013, 7,86%. No ano passado, o aumento foi de 2,86% e, este ano, no acumulado até julho, os aluguéis caem 0,5%.

O Rio de Janeiro, que enfrentou uma das maiores explosões de preços de imóveis país, experimenta agora uma desaceleração maior. O índice mostra que o preço dos imóveis já acumula queda de 3,59% nos sete primeiros meses do ano. Já em São Paulo, números compilados pelo Sindicato das Empresas de Habitação de São Paulo (Secovi-SP) revelam que, em julho, o aluguéis ficaram em média 1% menores. No acumulado do ano, os preços caíram 1,8%. Com a crise econômica, locadores têm cedido cada vez mais à pressão dos futuros moradores.

Marcelo Borges, diretor jurídico da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), afirma que há maior dificuldade em alugar imóveis este ano, o que aumenta o estoque do setor. Com isso, os proprietários, que dependem da renda do aluguel, estão mais sensíveis a negociações com locatários.

Borges afirma que as negociações são feitas tanto para novos aluguéis quanto para renovações de contratos antigos. Ele estima que os descontos são feitos entre 5% e 12%. Já Andreia Gonçalves, dona da RKG Imóveis, estima que as reduções para o aluguel de novos imóveis e daqueles desocupados há cerca de nove meses variam entre 10% e 20%.

— É o momento do inquilino —, diz o diretor de locação do Secovi-SP, Mark Turnbull. — Os proprietários começaram a entender que precisavam ser mais flexíveis em relação aos preços dos imóveis e, com o agravamento da situação econômica, não é vantagem ficar com o imóvel fechado. A despesa é muito alta. O mercado é mais favorável a quem aluga — disse Turnbull.

Foi o que constatou na prática a administradora Gláucia Araújo, quando se mudou de São Paulo para o Rio, em maio. Ela gostou de uma kitinete em Copacabana. O proprietário pediu R$ 1.700 inicialmente, mas fechou o aluguel em R$ 1.500.

— O imóvel estava fechado havia seis meses, então precisei reativar contas, paguei os atrasos da inquilina anterior na Light — conta.

O movimento dos preços reflete a queda pela procura por imóveis para alugar, num momento em que tanto as empresas como as pessoas físicas o orçamento apertado.

— O mercado está modulando em virtude da alteração dos níveis da economia e da dificuldade do quadro econômico brasileiro. Esse é o momento de negociação Nós recomendamos que isso aconteça mesmo. É melhor ter um imóvel alugado do que vazio por causa de um preço que, hoje, é irreal para nossa economia — considera o diretor da Abadi.

Para Luís Carlos Ewald, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas, a negociação entre proprietários e inquilinos é uma realidade.

— Quando você tem 20 pessoas oferecendo apartamentos e cinco querendo alugar, basta negociar. O dono do imóvel que tem experiência sabe que, se deixar vago, vai ter que pagar condomínio e IPTU todo mês e terá uma série de despesas. Quem está com a faca e o queijo na mão é o inquilino — diz.

O representante farmacêutico, Edmilson Dantas da Silva, de 54 anos, viveu os dois lados da história. Como inquilino, alugou, há cerca de dois meses, uma casa de três quartos no Tatuapé, na zona leste de São Paulo. O imóvel estava fechado havia um ano, e por isso, ele conseguiu um desconto de R$ 100 no valor do aluguel, que passou de R$1.600 para R$ 1.500. Há um ano, a mesma casa era oferecida a R$ 1.800. Como proprietário, Silva teve que reduzir o valor do aluguel de seu apartamento no bairro de Itaquera, também zona leste da cidade. |O imóvel de dois quartos era oferecido a R$ 1.500, mas ele só conseguiu alugar por R$ 1.300:

— Foi bom, porque fechado o imóvel dava uma despesa mensal de R$ 350. Com a crise, a solução é negociar. É bom para o dono e para o inquilino.

Responsável por uma carteira de 10 mil imóveis para locação na cidade de São Paulo, a Imobiliária Lello criou, em junho, um feirão de imóveis, com descontos de 5% a 30%. Dos cerca de mil imóveis colocados na promoção, 120 foram alugados. Roseli Hernandes, diretora comercial da empresa, diz que em agosto o tempo médio de permanência dos imóveis na empresa chegou a 87 dias. A média histórica para alugar gira em torno de 60 dias.

— Há dez anos, o aluguel representava 1% do valor do imóvel. Hoje, não passa de 0,4% — diz.

Na hora de renovar um contrato vencido, a negociação é livre, e o que baliza o preço é o mercado — explica Antonio Paulo Monnerat, vice-presidente de Locação do Secovi-RJ. Mas, para o bom inquilino, a regra sempre é “mais camarada":

— O proprietário prefere manter o bom locatário do que um futuro que pode trazer problemas.

Já na vigência do contrato, o proprietário não pode aumentar o preço, exceto no aniversário anual e pelo indexador adotado. Um dos mais usados é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que subiu 7,55%. nos 12 meses encerrados em agosto,. Nada impede, porém, que inquilino tente baixar o valor, mesmo quando o contrato estiver em vigor.

Foi o que aconteceu com a arquiteta Fernanda Maitam. Ela precisou baixar o aluguel do seu apartamento para não perder o inquilino. Como os aluguéis no condomínio vinham caindo, o inquilino pediu redução de R$ 3.000 para R$ 2.400, ou seja, de 20%. Se a proprietária não aceitasse, ele deixaria o imóvel. Fernanda aceitou.

— O corretor me falou que está difícil arrumar novos inquilinos, então não quis me arriscar.(G1)

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