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Comprar a casa própria está cada vez mais difícil

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Depois de um período de baixa, entre meados dos anos 1980 e o início dos anos 2000, o mercado da construção civil teve um período de alta, efeito do bom momento econômico da segunda metade da década passada, com milhões de brasileiros melhorando de vida, bancos oferecendo crédito farto e barato para os padrões históricos do País, além de ações governamentais de peso, notadamente o programa Minha Casa Minha Vida. (Leia mais - Clique Aqui)


Muito em função disso, os preços dos imóveis dispararam. Além da valorização do preço da terra nos grandes centros urbanos, também pesaram a lei da oferta e da procura, o aumento no preço dos serviços e o crescimento da massa salarial.

Ainda que se possa justificar esse boom imobiliário, o fato é que poucos têm hoje em suas economias recursos suficientes para comprar um bem no valor que são ofertados os imóveis. Enfim, o sonho da casa própria atingiu patamares difíceis de serem pagos pela esmagadora maioria da população, salvo através de longos financiamentos.

Por isso, é preocupante que, no atual momento, as condições para adquirir um imóvel financiado tenham sido ainda mais dificultadas por uma série de medidas que encarecem o valor do empréstimo a ser tomado pelo comprador.

A mais recente, ainda em gestação, foi destacada na manchete de ontem do Jornal do Comércio, Correção do FGTS vai elevar juro de moradia. Ainda que seja justa a correção no fundo de garantia do trabalhador, é importante observar que, se essa proposta passar no Congresso Nacional, onde está sendo discutida, vai elevar em, pelo menos, 27% as prestações dos financiamentos habitacionais com recursos do FGTS.

O pior é que esse não é um caso isolado, há diversos fatores que tem piorado o quadro, especialmente nos últimos dois anos. O primeiro é que o contexto econômico no País se alterou, a economia está em recessão, o que, por si só, afeta toda a cadeia imobiliária. Enquanto isso, a inflação segue em alta.

Para piorar o quadro, sucessivas elevações na taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central, elevaram a TR, que é incluída em vários financiamentos e que, até 2013, estava praticamente zerada.

Mas foi no primeiro semestre deste ano que a situação se agudizou, com duas elevações nas taxas de juros das operações para financiamento de imóveis residenciais contratadas - uma em janeiro e a outra em abril. A Caixa Econômica Federal atribuiu as altas ao aumento da Selic.

Também em 2015, foi tomada a medida que, talvez, seja a mais dura: a drástica redução no percentual de financiamento da casa própria, que chegava 90% do valor do imóvel - atualmente, na maioria dos casos o empréstimo é concedido apenas a quem tem condições de pagar, pelo menos, a metade do imóvel na entrada.

Em tese, todo esse contexto negativo provocaria uma queda no preço dos imóveis, mas o que se tem visto é uma estabilidade, ou seja, a redução seria dada apenas na manutenção dos valores em uma época de inflação. O resultado é que toda uma geração que está iniciando a vida adulta, firmando-se no mercado de trabalho, é penalizada, com perspectivas nada favoráveis para adquirir o tão sonhado imóvel. O setores da construção civil e imobiliário também já estão sendo atingidos.

É preciso interromper essa sequência negativa na construção civil, o que prejudica e afeta a todos - empresário, trabalhador e o País. É imperativo que haja uma reação do governo e da iniciativa privada, para que se tomem medidas imediatas e se planeje uma retomada do setor, que facilite a aquisição da casa própria.(JornaldoComercio-PortoAlegre)

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