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Bancos têm mais R$ 22,5 bilhões para financiar a casa própria a partir de hoje

terça-feira, 2 de junho de 2015

Setor respira com fatia da poupança. Interessados devem ficar atentos


Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press 2013 176/4/15
Brasília – A semana começa com certo alívio para o setor imobiliário. Depois de muita pressão e da inicial negativa do governo de flexibilizar as regras do compulsório da poupança para financiamentos no setor, o Conselho Monetário Nacional decidiu injetar R$ 22,5 bilhões no segmento. Na última sexta-feira, o Banco Central anunciou que, a partir de hoje, os bancos poderão usar parte maior dos recursos que deveriam ficar retidos na autoridade monetária para empréstimo para compra de imóveis. A liberação deve beneficiar principalmente a Caixa Econômica Federal, que detém uma participação de 70% do mercado.

Além da liberação do compulsório, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) anunciou na semana passada a liberação de quase R$ 5 bilhões a mais este ano, para financiamento da casa própria a cotistas do FGTS que ganham mais. A medida veio acompanhada, no entanto, da redução do teto do valor do imóvel de R$ 750 mil para R$ 400 mil.

Com as medidas, o governo espera aquecer o setor que está com os estoques altos e demitindo trabalhadores – 110 mil postos foram fechados na construção civil em 2014 – pela falta de perspectiva de novos lançamentos. A expectativa é de que com mais recursos disponíveis, mais pessoas tenham acesso ao crédito imobiliário. “Não sabemos ainda como esse dinheiro será usado. Como os bancos vão financiar, quem vão financiar, e se as taxas de juros voltarão aos patamares anteriores. Mas, é animador para nós e certamente será para os consumidores que necessitam do crédito”, diz o vice-presidente da Indústria Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), Adalberto Júnior.

Endividadas e temendo a atual conjuntura econômica, as famílias vêm retirando recursos da poupança para saldar os débitos. Por conta desse movimento, os saques foram superiores aos depósitos na caderneta de poupança em R$ 30 bilhões durante os quatro primeiros meses do ano, o que motivou a Caixa e o Banco do Brasil a alterarem as regras de financiamento imobiliário e elevarem as taxas de juros do crédito imobiliário.

Cautela
Outras instituições financeiras também acompanharam os reajustes e ampliaram suas taxas de juros, que chegam a até 11% no Sistema Financeiro Habitacional (SFH), usado para financiamento de imóveis de até R$ 750 mil. Frente ao desaquecimento da economia, à inflação alta, ao aumento do desemprego e à desaceleração da massa salarial real, o consumidor que pensa em comprar, ou que já está consultando corretores em busca de uma casa ou apartamento, deve comparar as tarifas e preços dos imóveis.

Mas, mais do que verificar taxas de juros, devem estar atentos ao Custo Efetivo Total (CET) da operação. Sobre cada financiamento incidem outros custos adicionais, como taxas administrativas e seguros, adverte a coordenadora institucional da Proteste — associação de consumidores, Maria Inês Dolci. “Nem todos os bancos têm taxas atrativas. Caberá ao consumidor escolher de acordo com o que for mais compatível ao bolso, optando sempre pelo menor custo”, avalia.

Bom momento
Com a injeção de crédito, o momento volta a ser mais atrativo para a aquisição do imóvel. O sócio da PwC Brasil Eduardo Luque alerta para os preços e talvez seja importante aproveitar oportunidades. “O valor cobrado por metro quadrado, que dobrou de 2007 a 2013, mantém-se estável e com viés de baixa, mas vai ter uma retomada de crescimento que pode começar em 2016 e ganhar mais força nos dois anos seguintes.” Mesmo diante da atual crise, comprar um imóvel pode ser um bom negócio para quem tem condição de pagar à vista. Em um ambiente de juros altos, a aplicação de recursos em uma casa, loja, sala ou apartamento, pode ser tão vantajosa quanto empregar capital em fundos de investimento, ou mesmo no Tesouro Direto, segundo especialistas.

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