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Financiamentos Imobiliários são impactados pela alta da TR

terça-feira, 9 de dezembro de 2014


A alta da taxa básica de juros (Selic) tem tornado o sonho da casa própria cada vez mais caro para as famílias brasileiras. Isso ocorre porque a Taxa Referencial (TR), que é um importante balizador dos financiamentos imobiliários, sofre impacto direto da política monetária de controle da inflação por meio dos juros, tornando a conta cada vez mais alta para os mutuários.

Quem possui um financiamento imobiliário tem a parcela a ser paga corrigida mensalmente pelo valor da TR na data de aniversário do contrato. A taxa mensal geralmente é baixa, mas como impacta todo o financiamento, acaba pesando no bolso do consumidor.

Segundo dados do Banco Central (BC), a TR do dia 4 de dezembro ficou em 0,0596% ao mês. Em 4 de janeiro deste ano ela estava em 0,0240%, ou seja, mais que dobrou nesse período. Em 2010, quando o país vivia um boom imobiliário, a TR estava zerada.

A explicação para a alta da taxa tem início na elevação da inflação, conforme lembra o diretor de Economia da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Storfer. Isso porque o governo usa a elevação da Selic para conter o ímpeto inflacionário. Mas na outra ponta acaba elevando o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que baliza os Certificados de Depósitos Bancários (CDB). Como a TR é calculada com base em uma média ponderada ajustada do CDB nas 30 maiores instituições bancárias do país, ela sobe a reboque.

Como em 2010 a Selic chegou ao patamar de 8,65%, um dos mais baixos dos últimos anos, a TR ficou6 em 0%. Agora que a taxa básica de juros foi recém-elevada para 11,75%, a TR vem subindo diariamente.

Cálculos

Para se ter uma noção do quanto o consumidor paga a mais por uma oscilação que parece insignificante, o perito em cálculos Edson Del Valle fez simulação de financiamento de um imóvel de R$ 300 mil em 360 meses. Partindo do pressuposto que a compra tenha ocorrido em janeiro de 2013, o mutuário pagaria R$ 4.523,74 até novembro passado somente em TR. Em alguns meses, o adicional da TR chegou a R$ 545, valor que teria que ser pago juntamente com a prestação previamente combinada.

Apesar de a TR apresentar esse impacto direto no preço final do imóvel, são poucos os consumidores que atentam para as oscilações da taxa. “O mutuário é imediatista. Ele olha quanto fica a prestação hoje e não leva em conta outros custos que incidem sobre o montante final. E é exatamente isso o que leva à inadimplência. E o pior, à perda do imóvel, que pode ser levado a leilão em caso de não pagamento”, afirma o presidente da Associação de Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMM-MG), Sílvio Saldanha.

E essa falta de atenção beneficia as construtoras, que não têm seus negócios afetados pela elevação da TR. Segundo o coordenador Sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti, a comercialização de imóveis sofre mais influência das oscilações dos juros praticados pelos bancos do que da TR. Isso porque o consumidor tende a ficar mais atento aos juros. Além disso, a corrosão da renda familiar devido à inflação também exerce influência mais negativa sobre os resultados das construtoras. (DiariodoComercio-BHMg)

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