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Altos preços dos alugueis comerciais, engolem os lucros dos empesários em BH

domingo, 16 de novembro de 2014


Micro e pequenas empresas sentem peso do valor mensal, que aumentou 80% em cinco anos na Região Centro-Sul de BH

Em um ano de vendas fracas para o varejo e economia andando como caranguejo, os micro e pequenos negócios estão sentindo o peso do aluguel crescer e engolir fatia cada vez maior do faturamento. O valor médio cobrado pela locação de lojas na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde está concentrado um terço da oferta de imóveis comerciais da capital, acelerou 80% nos últimos cinco anos, mais que o dobro do IGP-M (índice utilizado no cálculo do reajuste dos aluguéis), que acumulou alta de 35% no período. Lojistas se queixam que a economia não avançou no mesmo ritmo dos reajustes e agora a participação do aluguel, que antes correspondia a 5% do faturamento, chega a alcançar 20%.


Pesquisa da Fundação Ipead/UFMG em parceria com a Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi) mostra que, entre 2009 e 2014, o valor médio do metro quadrado para uma loja de frente na Região Centro-Sul, avançou de R$ 26,02 para R$ 46,74, alta de 79,6%. No caso das lojas internas, como aquelas em galerias, o reajuste no período é de quase 100%, de R$ 15,78 em 2009, o metro quadrado na região saltou para R$ 31,14. “O aluguel é quase que uma característica do comércio. Mais de 90% dos pontos abertos têm esse custo fixo”, estima Bruno Falci, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). Segundo ele, o comércio em geral, seja de rua ou de shopping centers, este ano passou a sentir com maior força o peso da locação. “O impacto do aluguel é forte. Quando a economia está fraca, o risco de desequilíbrio é grande.” Segundo ele, para o comércio de rua, o ideal é que o custo da locação corresponda a 4% do faturamento, podendo alcançar um máximo de 10%.

Em momentos de pressão do custo, especialistas recomendam atenção nas despesas, ações pró-ativas para trazer clientes e até mesmo medidas mais drásticas. “O aluguel é o custo fixo mais importante para os micro e pequenos negócios, e o lojista percebe rápido quando ele passa a pesar demais”, alerta Beatriz de Carvalho, analista de atendimento individual do Sebrae. Segundo ela, quando o aluguel de 5% passa a ocupar mais de 10% do faturamento é hora de pensar em estratégias que envolvem até mesmo a mudança de ponto, como forma de evitar o endividamento. “E deve ser planejado e comunicado aos clientes em ação estratégica e prévia.”

“O preço do aluguel foi reajustado acima do que o comércio consegue suportar”, defende Flávio Assunção, dono de um armarinho na Avenida Paraná e também presidente da Associação dos Lojistas do Hipercentro. Segundo ele, o seu aluguel nos últimos cinco anos dobrou. Se antes atingia 5% do faturamento, hoje chega a oscilar entre 15% e 20%. Flávio diz que a queixa entre os lojistas da região é generalizada. “Percebemos que a oferta de imóveis no Centro de Belo Horizonte está crescendo, justamente porque a economia desacelerou e o fluxo de vendas reduziu.”

Fechar as contas no azul, em tempos que o consumidor reduz as compras e a inadimplência cresce, é um malabarismo. Uma loja pequena, de aproximadamente 40 metros quadrados, no local, pode ser encontrada por valores aproximados que partem de R$ 9 mil. O preço, segundo a presidente da Associação dos Lojistas da Savassi, Maria Auxiliadora Souza, há três anos era a metade. Segundo ela, mais de 60 lojas fecharam as portas nos últimos dois anos. “Como a Savassi é um bom ponto, novos lojistas estão chegando, mas pagando preços altos.” A empresária está há 25 anos no comércio e se considera privilegiada por ser dona do próprio ponto.

SHOPPINGS

A Associação dos Lojistas de Shopping Centers (Allshop) informa que historicamente o valor da taxa de ocupação dos centros é maior que a locação de rua, devido ao fluxo de clientes e serviços oferecidos, oscilando entre 12% e 18% do faturamento. Segundo a reportagem apurou com lojistas, o valor da chamada taxa de ocupação, que inclui o aluguel, condomínio e fundo de publicidade, sem contabilizar investimentos, como luvas ou valor cobrado para abrir as portas, gira em torno de R$ 12 mil a R$ 18 mil para uma loja pequena, de 40 metros quadrados, dependendo da região do shopping. Já a taxa de ocupação para os chamados quiosques na região Sul por exemplo, está próxima a R$ 1 mil por metro quadrado. Os valores, no entanto, podem variar muito, dependendo da localização, tamanho, público e o endereço do centro de compras.

Daniel Mesquita e sua família têm franquias em cinco shoppings de Belo Horizonte. Ele comenta que a taxa de ocupação, há cinco anos, correspondia a 10% do faturamento do seu negócio, percentual que este ano vem oscilando entre 12% e 15%. Ele atribui o aperto ao atual momento da economia. Daniel está com boas expectativas para o Natal e pretende investir na data para recuperar parte das vendas fracas que marcaram o varejo durante o ano.

Paula Machado sempre trabalhou com chocolates. Sua família é dona de uma tradicional fábrica em Barbacena, que produz toda espécie de delícias finas feitas a partir do cacau. Até janeiro, ela manteve um quiosque em dois shoppings da região Centro-Sul de BH. Segundo Paula, a rede preferiu redirecionar os seus investimentos, focando na cidade de origem, o que levou ao fim do ponto de venda na capital. De acordo com ela, na economia desacelerada, o valor do aluguel passou a ter um peso maior e atingir diretamente o custo. “É visível em todo o mercado a dificuldade em se manter um negócio rentável diante desta economia desacelerada. Os preços sobem, as pessoas compram menos e o comércio é o primeiro a sentir essa mudança. O preço dos aluguéis precisa ser ajustado”, avalia.

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