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Com imóveis comerciais encalhados na capital BH, proprietários são obrigados a diminuir os valores

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Demora para nova locação faz aluguel comercial cair na capital
Com imóveis comerciais encalhados na capital, proprietários são obrigados a diminuir os valores para conseguir inquilinos. Variação de preço sofreu 14 quedas mesmo com alta da inflação




Avelino e Fabrício vão transferir o restaurante Boi Vitória para espaço desocupado há sete anos por falta de inquilino

Os empresários Avelino e Fabrício Lana, donos do Boi Vitória, no Bairro Cruzeiro, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, alugaram nessa segunda-feira o imóvel de número 4.374 na Avenida Afonso Pena, no mesmo bairro, para onde o restaurante será transferido até o fim de novembro. O espaço que o empreendimento ocupa hoje deverá ser jogado ao chão para dar lugar a um edifício. O prédio de dois pavimentos (271 metros quadrado cada) que abrigará o novo estabelecimento foi construído num importante ponto comercial da capital, mas o proprietário estava à procura de locatários há sete anos, desde que a Pizza Hut encerrou suas atividades no local. Dezenas de outros imóveis comerciais erguidos em endereços nobres também enfrentam, há alguns anos, o desafio de serem ocupados.

Resultado: donos de construções cujos inquilinos deixaram os imóveis em razão de reajustes agora reduzem o preço do aluguel. Esse cenário ajuda a entender a última pesquisa da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi), divulgada em julho. O estudo mostrou que a variação do aluguel de pontos comerciais desacelerou no acumulado dos últimos 12 meses pela sexta vez consecutiva. Nos últimos 15 meses, ocorreram 14 quedas (veja arte).

Para se ter ideia, o indicador havia subido 11,08% no período encerrado em abril de 2013. Neste mesmo intervalo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, fechou em 5,75%. Já no acumulado dos últimos 12 meses terminados em julho, a variação do preço dos aluguéis foi de 6,67%. O da inflação, 6,73%.

Foi a primeira vez, pelo menos desde julho de 2012, que a variação do aluguel num acumulado de 12 meses ficou abaixo do IPCA. “Estamos caminhando para um equilíbrio. A tendência é de estabilidade. (O indicador da CMI/Secovi) deve ficar (nos próximos meses) um pouco acima ou um pouco abaixo da inflação”, acredita Cássia Ximenes, vice-presidente da entidade. A queda forçou donos de imóveis desocupados a reverem os valores pedidos para o aluguel de seus imóveis.



Dono de imóvel na Getúlio Vargas baixou oferta de R$ 20 mil para R$ 15 mil mensais

É o caso do que ocorre com o antigo local onde funcionou o Rei dos Brinquedos, na Praça Coronel Benjamin Guimarães, mais conhecida como ABC, na esquina das avenidas Afonso Pena e Getúlio Vargas, no Funcionários. “De R$ 20 mil para R$ 15 mil mensais”, informou um corretor da imobiliária contratada pelo dono. O imóvel, um prédio de dois pavimentos (100 metros quadrado), está desocupado desde junho de 2012, quando o Rei dos Brinquedos encerrou as atividades no local em razão do reajuste do aluguel.

O antigo proprietário da loja desembolsava, à época, R$ 4 mil mensais e enfrentou, durante 17 anos, um processo judicial contra o aumento do valor do contrato. Em sentença, o juiz que analisou a pendência e determinou que a cifra subisse para R$ 9 mil. Sem recurso para manter a atividade no local, o dono entregou o ponto. O imóvel, contudo, ainda não foi ocupado. O mesmo ocorre com outra construção erguida num ponto tradicional da cidade. Trata-se do casarão de dois andares na esquina das ruas Marília de Dirceu e Antônio Aleixo, no Bairro de Lourdes.

Lá funcionou, por 12 anos, o antiquário San Martin. Os sócios da loja pagavam pouco mais de R$ 8 mil de aluguel. Quando o contrato venceu, conta dona Ana, sócia do antiquário, os donos pediram um reajuste para R$ 35 mil. “Ofereci R$ 13 mil e eles não aceitaram.” Ela e o sócio, César Augusto Santana, alugaram outro imóvel no mesmo quarteirão. Já o antigo imóvel, de 500 metros quadrados, está vazio. Os donos agora pedem R$ 20 mil mensais.


MOSTRUÁRIO 
Parte da mureta do imóvel é usada por seu José Abreu, um senhor de 90 anos que foi dono, por duas décadas e meia, de antiquário na região. “Fechei a loja há quatro anos porque as vendas não davam para pagar o aluguel, que era de R$ 3,5 mil, e o dono da construção pediu para ser aumentado para R$ 4,5 mil.” Na mureta do imóvel que abrigou o antiquário San Martin, ele expõe alguns dos 200 quadros que eram comercializados na sua antiga loja. O EM não conseguiu contato com os proprietários do imóvel. Na imobiliária responsável pela construção, não havia corretores disponíveis para comentar o assunto.




Parte do imóvel foi tomada pela poeira, como ocorreu com o número 4.374 na Avenida Afonso Pena, onde Avelino e Fabrício vão montar o Boi Vitória. “A primeira vez que fizemos contato com o proprietário foi há seis anos”, disse Avelino, que informou que não poderia revelar o valor do aluguel.

OFERTA
Outro motivo da redução no valor dos aluguéis comerciais se deve ao aumento de oferta de unidades entre julho do exercício passado e o mesmo mês desse ano. O total de lojas de frente ofertadas na Região Centro-Sul da cidade, por exemplo, subiu de 135 unidades para 181 nesse período – alta de 34%.

No mesmo intervalo, o preço do metro quadrado das lojas de frente na Centro-Sul, onde esse tipo de construção é mais valorizada pelo mercado, passou de R$ 43,91 para R$ 46,37. O aumento foi de 5,6%, abaixo da inflação do país no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em julho passado (6,5%).(EM/LugarCerto)

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