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BH: Restrição de vagas de garagem deve supervalorizar apartamentos

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Novas construções também devem ser inviabilizadas casos a PBH adote a restrição de apenas uma vaga de garagem por apartamento

Elevação dos preços dos imóveis e uma corrida de construtoras para outras cidades. Essas são algumas das consequências previstas pelo setor imobiliário caso a prefeitura leve adiante a proposta de reduzir o número de vagas de garagens a serem construídas em edificações de Belo Horizonte. Pelo projeto apresentado durante a 4ª Conferência Municipal de Política Urbana, será permitido apenas uma vaga livre por unidade habitacional. Representantes do setor imobiliário preveem alta de 30% a 40% no preço de apartamentos e uma supervalorização daqueles já existentes, que têm disponibilidade de espaço para automóveis. Eles são unânimes em apontar uma discrepância entre a política municipal e os incentivos do governo federal em estimular a venda de carros. 


O presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e diretor do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (CMI/Sinduscon-MG), Otimar Bicalho, acredita que o resultado será uma queda considerável ou até a inviabilidade de prédios com três quartos ou mais. “Como ter apartamento maior, sem vaga de garagem? Não é acabando com ela que vai reduzir o número de veículos que estão na rua”, diz. “E o fato de ter carro não significa usá-lo o dia todo. Posso ir trabalhar usando o transporte coletivo e deixar o automóvel para passeio. Essa limitação é um erro de estratégia e entra em choque direto com a vontade da população”, afirma. 


Para Bicalho, que também é delegado da conferência, o impacto maior será na Região Centro-Sul de BH, onde os moradores terão carro invariavelmente. Para atender a demanda dos clientes, com a nova proposta, a solução é usar área onde seriam erguidas apartamentos para construir garagens, reduzindo o número de unidades habitacionais do prédio. Ou, então, pagar pelo direito de construir mais. “De qualquer maneira vai encarecer e não adianta aumentar o preço indefinidamente. O empreendedor vai optar por não construir e as poucas unidades disponíveis ficarão caras e raras, incluindo os prédios erguidos anteriormente. A saída para os construtores será atuar em outras cidades”, relata. 

ALTERNATIVA
Assim como ele, o vice-presidente da área de corretores da CMI/Secovi, Flávio Galizzi, é favorável a uma mudança gradativa. “A nossa cultura não está preparada para isso. Antes de tirar o que a população tem, é preciso investir em alternativas de transporte público de qualidade. Com isso assegurado, pode ser uma medida interessante. Não pode ser feito de uma hora para outra”, diz. 

Ele conta que, atualmente, um apartamento de quatro quartos sem o número equivalente de vagas de garagem perde valor. E ressalta que, embora os custos de estacionamentos não sejam rentáveis para o construtor, os espaços são oferecidos por causa da demanda do mercado. “O custo de construção de uma vaga livre (espaço de 25 metros quadrados) é de R$ 25 mil, independente da região da cidade e ela será vendida por R$ 30 mil a R$ 50 mil. De maneira geral, não compensa construir vagas, mas essa é uma necessidade da população”, destaca.

Presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Luiz Fernando Pires, também delegado na conferência, pede cautela, acreditando na intenção do projeto do Executivo em melhorar as questões de tráfego e mobilidade urbana. “São necessárias várias medidas para diminuir o número de veículos na cidade, mas certamente elas não passam pela construção de garagens. BH tem que melhorar sua estrutura”, diz. Ele lembra que as mudanças impactam no imóvel, no preço e no comprador. “Só se implanta o que é melhor para a cidade depois de uma análise bem apurada, para não sair com medidas que em vez de melhorar, pioram”, pondera.(EstaMinas)

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