Após explosão de preços, cai a venda de imóveis novos
Mercado imobiliário passa por uma fase de acomodação

As vendas de imóveis novos em Belo Horizonte registraram queda de quase 5% no acumulado de janeiro a outubro deste ano, na comparação com o mesmo período de 2012. Entre os imóveis de classe média (de R$ 250 mil a R$ 500 mil), o recuo foi de quase 40%, de acordo com balanço divulgado ontem pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). O resultado é reflexo da redução da demanda iniciada em 2011, após o boom imobiliário da década passada, que inflou os preços em mais de 100% desde 2008.

“Tudo tem limite. A classe média já foi atendida em anos anteriores e os investidores de maior potencial também já adquiriram seus imóveis. Agora, as construtoras vislumbram o recuo das vendas, que deverá puxar os preços para baixo, já que eles não podem mais continuar subindo nos mesmos patamares de antes”, afirma o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), Kênio Pereira.

Na avaliação do presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Evandro Negrão de Lima Júnior, porém, a desaceleração das vendas não influenciará os preços. A teoria econômica afirma que o preço é resultado da oferta e da demanda, mas Lima acredita em encarecimento dos imóveis nos próximos meses. “O custo de construção está subindo, então, é difícil para as incorporadoras não repassarem o aumento”, diz Lima.

Já os lançamentos de apartamentos avançaram 19,33% na cidade, no mesmo confronto de dez meses. “O total de lançamentos superior ao das vendas coincide com a perspectiva de confiança dos empresários, que voltaram a investir, ainda que com cautela, principalmente, nos dois últimos meses”, afirmou a assessora econômica do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos, durante balanço do setor.

Para Pereira, esse avanço de lançamentos também pode ser explicado pela metodologia da pesquisa.

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Setor espera sinais de recuperação em 2014

O setor de construção civil deverá crescer 2,8% no próximo ano, segundo projeções da Fundação Getúlio Vargas, ficando acima do crescimento da economia
nacional (2%).
De acordo com avaliação do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), o bom desempenho será possível em função da demanda ainda reprimida, da manutenção do incremento no financiamento imobiliário e do crescimento da renda média dos brasileiros.
Por outro lado, o Sinduscon-MG espera um ano de incertezas geradas pelo período eleitoral e pela instabilidade do cenário internacional, além das mudanças na política monetária dos Estado Unidos, que podem levar à valorização do dólar e à depreciação do real, gerando pressões inflacionárias e mais aperto monetário no Brasil.
De acordo com o Sindicato, é preciso que a economia emita sinais mais evidentes de recuperação para que seja possível fortalecer ainda mais a confiança dos empresários.(Hojeemdia/economia-BH)