Eugênio Moraes/Hoje em Dia
Greve dos bancários tem 30% de adesão nas cidades de Minas
Agências na capital ficaram fechadas no primeiro dia de paralisação

Centenas de compradores de imóveis de Belo Horizonte estão em compasso de espera, impossibilitados de fechar o negócio, por causa da greve dos bancários, que completa 16 dias nesta sexta-feira (4). Sem o atendimento pessoal, os clientes não conseguem assinar os contratos de financiamento imobiliário.

Em algumas imobiliárias, a fila de espera já soma mais de cem pessoas. “Temos tido muitos problemas com essa greve. Para piorar, alguns clientes vendedores estão irredutíveis, não querem nem saber das dificuldades, apenas receber o dinheiro”, afirma o administrador da Adbens Imóveis, Heverton Lopes.

Na Valore Imóveis, uma cliente recebeu a posse do imóvel mesmo sem concluir a compra. A medida foi adotada para garantir o negócio, já que ela não conseguiu o financiamento a tempo.

“Os vendedores estão inseguros, assim como os corretores, que não receberam a comissão”, diz o diretorcomercial da empresa, Rodrigo Naves.

Expectativa

Na Hypolito Corretora de Imóveis, o cenário é mais tranquilo, mas também preocupa. A imobiliária é correspondente da Caixa Econômica Federal, o que permite que o processo caminhe com lentidão, sem ser suspenso.

“Já o cliente que opta por negociar diretamente com o banco está sendo prejudicado. Tivemos um caso recente em que foi preciso fazer um aditivo contratual. Se a greve persistir por mais uma semana, teremos mais cinco casos como esse”, afirma a assessora jurídica da empresa, Poliana Cunha de Oliveira.

Por meio da assessoria de imprensa, a Superintendência Regional da Caixa em Minas Gerais informou que o banco não divulga o volume total de contratos de financiamento imobiliário em suspenso durante a paralisação das agências.

Precaução

Consideradas um imprevisto, as greves podem ser adicionadas aos contratos de compra e venda em uma cláusula que prevê a suspensão do prazo para liberação do crédito imobiliário, segundo o advogado especialista em direito do consumidor Frederico Damato.

A medida isenta o comprador do pagamento de multas, em caso de desrespeito à data limite para conclusão da transação. Se a medida não estiver prevista no contrato, cabe às duas partes tentar uma negociação, por meio de aditivo contratual.

“É interessante inserir essa cláusula, porque evita dor de cabeça. Da mesma forma que o comprador não pode ser responsabilizado pela paralisação do serviço bancário, o vendedor também não”, diz o advogado.(HojeEmDia)