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Um ajuste saudável do mercado imobiliário

quinta-feira, 9 de maio de 2013




Entre o último trimestre de 2012 e o primeiro trimestre de 2013, os preços do metro quadrado de imóveis novos com um e dois dormitórios postos à venda na cidade de São Paulo recuaram 7,8%, em média, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Há razões para esse ajuste de preços, que não é generalizado e tem seu lado positivo.


Desde meados da década passada os preços dos imóveis residenciais da capital subiram continuadamente, só começando a arrefecer no ano passado. Ainda assim, as ofertas, medidas pelo índice de preços de venda Fipe-ZAP, mostram evolução positiva, ainda que em porcentuais declinantes, dos valores pedidos.

Reportagem de Márcia de Chiara, no Estado de domingo, mostrou que nos últimos meses construtoras de porte adotaram uma política de liquidação de estoques de imóveis. É uma situação incomum, que se deve ao custo de manutenção de empreendimentos financiados e à incerteza quanto à valorização das propriedades no médio prazo.

Além do mais, é usual a demora nas vendas de imóveis mal localizados ou que recebem menos sol. Há, ainda, devoluções de imóveis por compradores que não comprovaram ter a renda necessária para financiar a aquisição.

O mercado imobiliário depende, ainda, do estado da economia. Com o crescimento baixo do Produto Interno Bruto (PIB), as construtoras têm de fazer lançamentos com planejamento redobrado, enquanto os compradores potenciais temem a perda do emprego ou da renda real, ainda que a situação conjuntural pareça favorável. Afinal, os financiamentos imobiliários são contratados por longo prazo, até 30 anos.

Mas estudo recente preparado pelo departamento econômico do Grupo Itaú mostrou que as expectativas dos empresários imobiliários continuam favoráveis e que alguns segmentos - como o de shopping centers - vivem um momento auspicioso, beneficiando-se com o consumo aquecido.
A estabilização dos preços dos imóveis deve ser vista como positiva, tanto para incorporadores quanto para compradores. A estabilização de preços, ademais, não é generalizada, pois nos bairros onde há poucas áreas edificáveis a demanda tende a superar a oferta. O déficit habitacional, além disso, continuará alto por muitos anos.

O maior inimigo de construtores e mutuários é a inflação, que pressiona custos e gera incerteza num setor que tem de olhar o longo prazo. (O Estado de São paulo/Economia&Negocios)

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