Rio -  A “guerra” entre bancos para fisgar os clientes do crédito imobiliário tornou a taxa de juros um detalhe. O que vale mesmo é o relacionamento e a agilidade na liberação do dinheiro, além dos benefícios que as instituições financeiras oferecem para não perder o mutuário, e o negócio.


Atualmente, é possível encontrar até bancos que cobrem oferta. O percentual a ser financiado e o prazo de pagamento já estão no mesmo padrão da Caixa Econômica Federal. O banco estatal detém mais de 73% do crédito imobiliário no País.

A publicitária Renata Moreira já poupa e pretende comprar um imóvel financiado pela Caixa | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
A publicitária Renata Moreira já poupa e pretende comprar um imóvel financiado pela Caixa | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Segundo o diretor de Crédito Imobiliário do Bradesco, Cláudio Borges, a taxa de juros deixou de ser fundamental na negociação. Ele explica que os clientes querem agilidade para ter o mais rápido possível a carta de crédito liberada. “O que adianta ter juros mais baixos se não houver rapidez na liberação do recurso?”, questiona Borges.


Ele argumenta que o banco tem taxas competitivas e é possível torná-las ainda mais atrativas para não perder o cliente. “Vamos analisar caso a caso. Hoje, as taxas de prateleiras (percentual cheio) são de 8,9% ao ano para imóveis até R$ 170 mil e de 10,5% ao ano para unidades acima desse valor. O que vale mesmo é o relacionamento que o cliente tem com o banco”, diz Borges.



No Bradesco, o financiamento médio é de R$ 300 mil. O percentual do empréstimo chega a 80%, mas a média é de 56%, o que mostra que brasileiros estão poupando para comprar imóveis.



O Itaú adota modelo parecido, mas vai além. Na instituição, não há taxa fixa de juros. O banco não leva em conta apenas o valor do imóvel financiado, mas o cliente e seu relacionamento com a instituição. É como se a taxa de juros fosse personalizada. O Itaú financia até 80% do imóvel, com pagamento que pode chegar a 30 anos.



Caixa: agilidade e migração



Mesmo com a concorrência, a Caixa amplia a participação no crédito imobiliário, hoje de 73%. Os trunfos são a menor taxa de juros e a agilidade. “Assinamos o contrato em até uma semana”, diz a superintendente regional da instituição, Nelma Tavares.



Ela explica que a rapidez se deve também aos correspondentes imobiliários, que são como miniagências para concessão do crédito. E ressalta que mutuários de outros bancos procuram a Caixa para fazer a migração de contrato.

Cobertura do Porto Real Suítes. da Efer: financiamento da Caixa vale até para o segundo imóvel | Foto: Divulgação
Cobertura do Porto Real Suítes. da Efer: financiamento da Caixa vale até para o segundo imóvel | Foto: Divulgação
A publicitária Renata Moreira vai ajudar o banco a crescer. “Estou poupando e quero comprar meu imóvel pela Caixa, por causa da rapidez para liberar o empréstimo e os juros”, diz.


BB financia taxa e dá um mês grátis, Santander inclui despesas gerais



O Banco do Brasil oferece vantagens como carência de seis meses e financiamento de taxas e certidões. E um mês em que o cliente paga apenas seguro habitacional e administração do contrato. O banco cobra juros a partir de 8,4%.



Já Santander permite que o mutuário inclua o valor de R$ 1 mil no contrato de financiamento para despesas em geral. A instituição opera com juros a partir de 11% ao ano mais TR (Taxa Referencial) e renda mínima exigida de R$ 1 mil.



Crédito pré-aprovado e seguro de vida



O HSBC e o Grupo Brasil Brokers, que reúne 27 imobiliárias no País, têm acordo para facilitar o financiamento de imóveis. Com ele, o cliente tem o crédito pré-aprovado antes de escolher o imóvel.

Josué Madeira, da Brasil Brokers, destaca benefícios oferecidos pelo HSBC | Foto: Divulgação
Josué Madeira, da Brasil Brokers, destaca benefícios oferecidos pelo HSBC | Foto: Divulgação
Outra vantagem é que o valor do seguro de vida, cobrado no financiamento, é fixo.
Segundo o diretor do Grupo Brasil Brokers, Josué Madeira, nos outros bancos a cobrança é de acordo com a idade do comprador.


“Hoje, as taxas de juros são parecidas, porque os bancos captam recurso por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Por isso, é preciso ter outras vantagens para atrair o cliente. No HSBC, é possível incluir no financiamento despesas com cartório e o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), até R$ 10 mil”, explica Madeira. (ODiaOnLine)