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Compradores de imóvel extra priorizam empreendimentos de dois e três quartos

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Compradores de imóvel extra priorizam a facilidade de venda e a valorização rápida. Empreendimentos na planta são bem mais baratos

Os alvos principais dos que compram o segundo imóvel — financiado ou à vista — são empreendimentos de dois e três quartos, avaliados em até R$ 500 mil, que se encaixam perfeitamente dentro das regras do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), no qual as taxas de juros são mais atrativas. A opção por imóveis desse tamanho tem uma série de razões: pode significar uma melhora da moradia, pois a pessoa aumentou a renda e quer viver em um lugar mais espaçoso — o antigo passa a ser alugado, o que voltou a ser um bom negócio devido à nova Lei do Inquilinato; pode ser uma opção de investimento, porque a valorização é maior, assim como a facilidade de venda.

O consultor de empresas Valdemar de Figueiredo Lima Neto não pensou duas vezes em arrematar o segundo imóvel. “E não me arrependi”, afirma. Ele financiou um apartamento de 60 metros quadrados, com dois quartos, em Samambaia. “Quando comprei, o imóvel valia R$ 90 mil. Um ano e meio depois, está valendo R$ 135 mil, ou seja, 50% a mais. E olha que o prédio ainda nem está pronto”, diz. Lima Neto pretende ficar com o apartamento só até receber as chaves, quando o venderá com lucro e partirá para um novo investimento, muito provavelmente um outro imóvel.

Na avaliação de Fabrício Aroeira, diretor-comercial da Apex Engenharia, casos como o de Lima Neto são cada vez mais comuns em Brasília, onde a renda per capita é a maior do país e parcela importante dos empregos é estável, graças à forte presença do governo na economia. “Nesse contexto, a valorização dos imóveis na capital do país tem variado entre 20% e 25% ao ano. Não se consegue esse retorno em nenhum outro tipo de investimento com risco tão baixo”, assegura. A demanda, porém, está disseminada por todo o Brasil, inclusive em centros urbanos próximos de regiões produtoras agrícolas, já que famílias estão comprando o segundo imóvel para filhos que vão estudar em universidades.

“Na média, as pessoas que estão comprando o segundo imóvel têm mais de 30 anos, conseguiram quitar o financiamento da primeira moradia, têm estabilidade de emprego e renda suficiente para absorver uma prestação um pouco mais salgada”, ressalta Aroeira. É o caso do advogado Antônio Lisboa Cardoso. Ele adquiriu um apartamento de quatro quartos no Plano Piloto, avaliado em R$ 800 mil. “Fiz as contas e vi que dava para arcar com a prestação do novo imóvel, alugando o anterior, de três quartos, também localizado no Plano Piloto”, conta. “Foi um ótimo negócio”, assegura.

Chaves caras
Para tornar a compra do segundo imóvel mais palatável, a opção tem
sido arrematar o empreendimento na planta, pois as condições oferecidas pelas construtoras são melhores: o valor do sinal é dividido em até seis parcelas e as prestações acompanham a variação do Índice Nacional da Construção Civil (INCC). Depois da entrega das chaves, porém, o melhor é recorrer a um financiamento bancário, pois os juros são menores, reconhece o gerente da Carteira Imobiliária da PauloOctávio Investimentos, Marco Lopes. Enquanto, na média, as taxas bancárias ficam em 9% ao ano além da Taxa Referencial (TR), as construtoras cobram 12% anuais mais a variação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).

“Depois das chaves, o financiamento das construtoras fica bem mais caro. Por isso, recomendamos à clientela que procure uma instituição financeira em busca de um empréstimo para arcar com o saldo devedor”, frisa Lopes. Essa dica se tornará ainda mais importante no decorrer dos próximos anos, quando se espera uma nova rodada de redução dos juros da casa própria. “Crédito imobiliário é o nosso negócio. Trata-se do segmento em que os bancos mais podem crescer”, diz Antonio Barbosa, diretor de Crédito Imobiliário do HSBC. Ele lembra que, no Brasil, o financiamento imobiliário representa apenas 3% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 10% do México e 17% do Chile.

No caso dos que compram o segundo imóvel para investimento, o financiamento bancário não é prioridade. O que se observa é uma disposição de dar uma entrada maior no valor fixado pelas construtoras. Com isso, acabam pagando o empreendimento entre 24 e 36 meses, período da construção, tempo suficiente para garantir uma boa valorização.

BB tem R$ 7 bi para emprestar
O Banco do Brasil decidiu pisar fundo no financiamento da casa própria. Segundo o vice-presidente de Novos Negócios da instituição, Paulo Rogério Caffarelli, o BB tem hoje capacidade para liberar até R$ 7 bilhões, incluindo os recursos captados pela Nossa Caixa por meio da caderneta de poupança. Desse total, R$ 2,1 bilhões deverão ser emprestados em 2010, elevando a carteira habitacional do atual R$ 1,6 bilhão para R$ 3,7 bilhões — um salto de 131%. “Com exceção da Caixa Econômica Federal, não há nenhum outro banco no mercado com tantos recursos disponíveis para o financiamento da casa própria”, diz.

A meta do BB é chegar a 2012 entre os três maiores bancos com atuação no sistema imobiliário. “Queremos ter entre 6% e 7% do mercado. Esse é o percentual compatível com o tamanho do BB”, afirma Caffarelli. Hoje, a participação do banco no estoque total de financiamento de moradias é de apenas 1,6%. “É pouco, perto do que é o Banco do Brasil. Mas não podemos esquecer que começamos a operar nesse mercado somente no fim de 2008, no auge da crise mundial”, assinala.

Na estratégia para crescer, o BB fechou acordo com as 16 maiores construtoras do país para financiar diretamente os empreendimentos imobiliários. Agora, está finalizando a parceria com uma promotora de crédito imobiliário a fim de comprar toda a carteira de crédito que ela vier a gerar. “Não se pode esquecer ainda que temos, em nossos cadastros, mais de 2,4 mil construtoras, a maior parte delas com crédito pré-aprovado”, destaca. “Sabemos que o financiamento da casa própria é o principal produto para o crescimento dos bancos. É uma forma de manter um cliente fidelizado por 15, 20, 30 anos”, acrescenta.

Caffarelli ressalta que o banco vai partir para cima de todo tipo de cliente, inclusive os de renda mais baixa, público-alvo da Caixa. Tanto é que, entre projetos aprovados e em análise, o BB já disponibilizou R$ 1,5 bilhão para a construção de 23 mil unidades dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. “A nossa expectativa é de, até 2012, liberar R$ 5 bilhões para o financiamento de 88 mil imóveis dentro desse programa”, assinala.

Ele chama ainda a atenção para o foco do BB sobre os servidores públicos, aos quais estão sendo oferecidas condições especiais de financiamento. No geral, o banco está cobrando nos empréstimos juros entre 8,4% e 12% ao ano além da variação da Taxa Referencial (TR) para imóveis avaliados em até R$ 500 mil. (VN)(CorreioBraziliense-LugarCerto)

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