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Belo Horizonte: Preço de lotes beira o absurdo

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Com muita procura e pouco terreno, áreas grandes de BH dobram de valor



Histórico, Terreno de 10 mil m² na avenida Raja Gabaglia foi vendido há dias por R$ 50 milhões

A explosão imobiliária em Belo Horizonte, após 20 anos de estagnação, está levando à valorização desmedida de terrenos na cidade. Lotes onde o metro quadrado custava, em média, R$ 3.000, há três anos, agora são vendidos por até R$ 14 mil por m². 

A falta de grandes áreas também contribui para que os donos dos poucos restantes estipulem preços nas alturas. "Não tem mais terreno com área acima de 10 mil m² em bairros como Lourdes, Funcionários, Santo Agostinho, Sion e Belvedere", afirmou a empresária Daniela Moraes Cançado, sócia-diretora da Austen Imóveis.

O reflexo disso é a valorização descontrolada. Um terreno de 10 mil m² na avenida Raja Gabaglia, no bairro Santa Lúcia, região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi vendido há poucos dias por R$ 50 milhões. O preço do metro quadrado - R$ 5.000 - até nem foi o maior praticado atualmente na cidade, que passa dos R$ 12 mil. Mas a cifra impressiona. Há três anos, o metro quadrado desse mesmo terreno não valia nem R$ 3.000. 

O presidente da Netimóveis, José De Filippo Neto, disse que, no ano passado, vendeu 27% menos imóveis, mas o faturamento foi 21% superior do de 2010, por conta da negociação de terrenos para grandes empresas. "De seis meses para cá, houve acomodação de preços do mercado, mas a tendência para 2012 é que eles continuem subindo", disse.

O diretor da Century 21 Elite BH, associada à Rede Imvista, Carlos Eduardo Galo, disse que as cifras dos terrenos estão "altíssimas, absurdas e fora da realidade". Como exemplo, Galo cita um terreno na região Norte, que há um ano custava R$ 15 milhões e, hoje, é negociado a R$ 25 milhões. 

O empresário afirmou que ainda existe demanda para a compra de terrenos na capital. "Porque o investidor compra para alugar, mas o investidor final, que é o consumidor, está sendo prejudicado com o preço alto. Está ficando inviável o preço do terreno aqui", reclama Galo, para quem o preço de terreno não tem parâmetro. "Há uma especulação muito grande nos valores de terrenos, após 20 anos de estagnação no setor imobiliário", afirmou. 

Estratégia. A sócia-diretora da Austen Imóveis, Daniela Moraes Cançado, disse que, quando houve uma "leva" de abertura de capital na Bolsa de Valores, há alguns anos, as grandes construtoras compraram terrenos, guardaram e só estão vendendo ou construindo agora. "Por isso, o metro quadrado pode custar de R$ 12 mil a R$ 14 mil". 

A área mais cara na carteira de Daniela tem 18 mil m² e fica no bairro Planalto, região Norte, a três quarteirões da avenida Cristiano Machado. "Hoje, custa R$ 18 milhões. Em 2007, custava R$ 5 milhões", informa. O terreno já tem proposta de uma rede hoteleira portuguesa. "Deve ser um complexo com hotel e shopping".






Diária de hotel em BH ficaria "inviável"
Os preços estão tão altos que ameaçam a rentabilidade dos investimentos. O grupo Maio Paranasa, por exemplo, adquiriu, em 2009, uma área de 2.500 metros quadrados, na região da Savassi, para construir os hotéis Íbis e Formule 1, no chamado Site Afonso Pena.

No ano passado, comprou um outro terreno, de 3.100 m², para abrigar o Site Savassi, constituído pelos hotéis Novotel e Ibis Budget. "Em dois anos, o preço dobrou de uma área para a outra. Se não fosse a Lei da Copa, a segunda área comprada não seria viável. A diária não daria rentabilidade ao hotel", explicou o diretor de empreendimentos do grupo, Jânio Valeriano. Ele só não revela os preços.

Há 25 anos no mercado imobiliário da capital, o presidente da Brasil Brokers Gribel Pactual (Rede Morar), Ricardo Pipchon, afirma que, em áreas dentro do traçado da avenida do Contorno, o preço de terrenos está alto e varia de R$ 10 mil a R$ 12 mil por metro quadrado. "Não existe, a curto e médio prazos, a possibilidade de o preço do metro quadrado do terreno ou do imóvel abaixar", afirmou. 

Para o executivo da Brasil Brokers, o valor nominal de uma área não quer dizer que ela está cara. "O que vale é o preço do metro quadrado. Uma coisa é o que o mercado pede, e outra é o que o mercado paga", disse. (HL)


Apartamentos valorizaram 23,6% em 2011

Levantamento baseado no Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que é pago às prefeituras antes de se fazer o registro da transferência de um imóvel, mostra que houve valorização de 23,6% nos preços de apartamentos, em 2011, ante 2010.

Em Belo Horizonte, o ITBI corresponde a 2,5% sobre o valor de avaliação do imóvel. A consolidação dos dados de ITBI de terrenos, porém, só ficará pronta em março.

O presidente da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi), Ariano Cavalcanti, disse ser natural, à medida que a economia cresce, num município de área pequena como Belo Horizonte, que os terrenos fiquem mais caros. "Vai ser difícil esperar redução no preço". (HL)


(OTempo-Economia)

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