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Crédito imobiliário: Transferencia pode reduzir juros e a parcela

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012


Bancos têm receio de "roubar" clientes um do outro e começar uma briga

Nunca foi tão fácil realizar o sonho da casa própria; anunciam as construtoras. Mas quem já fez um financiamento imobiliário, e agora quer mudar para outro banco que ofereça taxa de juros e parcela menores, encontra pela frente a burocracia e a resistência das instituições. Fazer a portabilidade, ou transferência, do crédito é realidade no Brasil há cinco anos, de acordo com resolução 3.401/2006 do Banco Central (BC). Mas pouca gente sabe disso.




Nem mesmo o BC tem um levantamento específico sobre as transferências de crédito imobiliário feitas em 62 instituições. Em 2011, a portabilidade total no país, incluindo crédito imobiliário, CDC e dívidas, somou R$ 4,28 bilhões. Nada significativo, comparado ao montante financiado só de imóveis, que atingiu R$ 71,7 bilhões entre janeiro e novembro do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip).

O consultor do departamento de normas do BC, Anselmo Pereira Araújo Neto, diz que a pessoa deve procurar uma instituição e solicitar o cálculo para que possa aplicar a portabilidade do valor equivalente à quitação da operação. "Tem que avaliar as condições da nova operação e verificar se é vantajoso, como se fosse uma operação de crédito normal, e ver todas as cobranças feitas".

O BC orienta que os bancos não podem cobrar tarifa para transferir a dívida, nem se negar a efetuar a operação. No momento em que é feita a transferência, o cliente obtém recursos com um banco para quitar antecipadamente a dívida com o banco que originou o crédito. "Neste caso, o cliente precisa ficar atento porque tem direito a redução proporcional dos juros na hora de quitar um débito", informou o BC. Nos contratos de empréstimo feitos até 10 de dezembro de 2007, poderá haver cobrança de tarifa de pagamento antecipado. Para contratos fechados a partir desta data, a cobrança está proibida.

O diretor-presidente da consultoria FinanciarCasa, Raphael Rottgen, afirmou que a maioria dos consumidores não conhece o procedimento. "Intermediamos mais de 1.200 financiamentos em 2011 e nenhum caso de portabilidade. O conceito é pouco divulgado. Achamos que isto é porque os bancos têm receio de roubar clientes um do outro, para não começar uma briga".

Raphael Rottgen disse que uma pessoa pode, por exemplo, economizar R$ 15 mil num financiamento de R$ 200 mil, feito há dois anos. "Vamos supor que o juro é de 10,5% a 11% ao ano mais a TR. Usando uma consultoria como a FinanciarCasa, dependendo do cliente, conseguimos baixar de 0,5% a 1%, mas cada caso é um caso", afirmou.

Um empresário de Belo Horizonte, que pediu anonimato, contou que o maior problema para fazer a portabilidade foi a burocracia no cartório. "O processo demorou um mês e tive que pagar R$ 4.000 no cartório para fazer a averbação da hipoteca e mudar o registro do imóvel", calculou. J.C., que tinha financiamento com a Caixa Econômica Federal e o transferiu para a BM Sua Casa.

Fora do Brasil
Nos EUA. A Mortgage Bankers disse que a portabilidade de crédito imobiliário foi de mais de 48% dos financiamentos imobiliários no 1º trimestre de 2011 e mais de 60% no 4º trimestre de 2010.
MINIENTREVISTA
"É muito trabalhoso, é um desgaste, há uma dificuldade burocrática"
Elyseu Mardegan Junior Engenheiro Diretor da BM Sua Casa
O que precisa ser feito para a portabilidade de crédito imobiliário ‘pegar’ no Brasil?

Apesar de a regulamentação existir, há falta de interesse das instituições financeiras porque está tirando um cliente que vai ter uma relação de 15 a 20 anos e passar para outra instituição. Ninguém gosta de perder clientes que podem ser fidelizados por tantos anos. Ainda que exista regulamentação, ela carece de detalhes operacionais que não foram estabelecidos. O Banco Central abriu a possibilidade, mas as instituições precisam evoluir.

O que precisa evoluir?

A parte operacional de como funcionaria essa troca de instituição financeira. Ainda que a gente faça alguns processos de transferência de financiamento para a BM Sua Casa, não é uma prática comum no mercado. Não é um processo fácil. Avisamos ao cliente que é um processo complexo, vai ter que pressionar a instituição financeira para passar os documentos. Nós fazemos a portabilidade em última instância. É muito trabalhoso, é um desgaste imenso, há uma dificuldade burocrática.

O cliente vai enfrentar uma pedreira pela frente?

Sim. Ele tem que participar desse processo de convencer a instituição a transferir o financiamento para outra instituição financeira. Não é uma situação comum, agradável e ninguém gosta de perder cliente. Ninguém faz divulgação do assunto. Nós, da BM Sua Casa, fazemos a portabilidade em situações muito específicas e avisamos ao cliente que ele tem que ter participação ativa para que a portabilidade da dívida dele aconteça.

Com a portabilidade de financiamento imobiliário, as pessoas estão conseguindo juros menores e uma redução no valor das parcelas?

As pessoas buscam taxa mais baixa e valor de prestação mais baixo. Os procedimentos que a gente fez de portabilidade foram para redução da taxa de juros e para o cliente ter um dinheiro extra. O cliente busca liquidez. (HL) (Fonte-OTempo-BH)

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