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No Rio aluguel de segunda residência vira tendencia

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Duas, três, quatro e até seis horas por dia parado, engarrafado, preso no trânsito. A rotina, cada vez mais comum para os cariocas de qualquer região da cidade, é ainda pior para aqueles que precisam percorrer muitos quilômetros entre casa e trabalho, como é o caso de quem mora na Barra da Tijuca, Recreio ou Vargem Grande e trabalha na Zona Sul ou no Centro. E vice-versa.

O resultado? Alguns cariocas estão optando por manter uma segunda base mais perto do trabalho, apenas para ficar de segunda a sexta. Há quem escolha passar a semana em um conjugado ou em um quarto e sala. E tem até quem faça do próprio escritório uma opção de estadia. Tudo em busca de uma melhor qualidade de vida.

Já venho percebendo isso há algum tempo. Desde que o trânsito do Rio começou a ficar complicado. E a tendência é que isso só aumente. Mas há fatores muito positivos nessa mobilidade, principalmente para o comércio dessas regiões e para o mercado de locações, que fica mais movimentado defende Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio.

Esse movimento em direção ao local de trabalho, mesmo ainda tímido, já vem sendo feito por profissionais de diversos setores e, em especial, por executivos de grandes empresas sediadas no Centro. Como precisam utilizar a ponte aérea com frequência e, por conta do trânsito acabavam perdendo vôos e reuniões, a solução tem sido procurar uma base mais perto do Santos Dumont e das empresas onde trabalham.

Esse público vem movimentando ainda mais o mercado de locações em Botafogo, Flamengo, Tijuca e São Cristóvão. Até dois anos atrás, a cada 20 consultas sobre aluguel nessas áreas, uma era feita por pessoas nesse perfil. Hoje, são três diz Bianca Carvalho, diretora comercial da Central de Imóveis.

Mudança traz novos hábitos, mas pode duplicar os gastos
Se para o mercado essa movimentação pode ser positiva, quem precisa ficar longe de casa não vê tantos benefícios. Afinal, além de ter sua rotina alterada, ainda tem seus gastos com moradia duplicados. O empresário Evandro Machado, por exemplo, trocou, durante a semana, um confortável apartamento de três quartos na Barra, com vista para o verde, pelo aperto de um quarto e sala no Catete. Com isso, se livrou do estresse diário de três horas no trânsito, já que agora vai e volta de metrô em menos de dez minutos. Em compensação, precisa manter dois apartamentos:

Ganhei agilidade nos meus deslocamentos e mais tempo para mim. Mas não é uma decisão barata. O apartamento da Barra é próprio, mas agora tenho aluguel e todas as outras contas duplicadas: condomínio, TV a cabo, luz e ainda preciso pagar estacionamento, já que o prédio do Catete não tem garagem.

Propriedades-dormitório é tendência forte para os próximos anos no Rio
Para minimizar o rombo que um novo apartamento produz no orçamento familiar, os consultores Eduardo Bandeira Villela e Cristina Costa, casados há 30 anos, fizeram uma verdadeira revolução. Primeiro, criaram a infraestrutura dentro do escritório que têm no Centro. Na sala de reuniões, sofá-cama; no banheiro, dois chuveiros; e na pequena copa, frigobar e micro$. Assim, quando trabalham até muito tarde têm tudo o que precisam à mão, sem precisar encarar o trânsito de volta para casa, em Vargem Grande.

Não é o ideal, mas como não temos horário para entrar e sair, essa alternativa facilitou bastante conta Bandeira.

Mas as mudanças do casal não pararam por aí. Na semana passada, eles trocaram a casa em Vargem Grande por um apartamento na Barra (menos longe, um pouco) e compraram também uma sala próxima ao novo apê, onde pretendem montar a filial de sua consultoria. Enquanto isso, o escritório no Centro continua servindo de dormitório à dupla.

A história de Eduardo e Cristina mostra a tendência cada vez mais forte, mesmo para quem não tem um negócio próprio: concentrar trabalho e casa no mesmo lugar.

Muitas vezes, o aluguel de um espaço menor para passar a semana funciona como uma experiência de adaptação. Quando ela é bem-sucedida, as pessoas acabam comprando a $no bairro mais próximo ao trabalho e se transferindo para lá definitivamente diz Aline Ribeiro, sócia-gerente da Onix Administradora de Bens e diretora de Vendas da Fernandez Mera Imobiliária.

Porto pode ser alternativa. Metrô não mudaria cenário
Já o engenheiro Leonardo Barbosa ainda sente falta do apartamento onde morava, na Península. Ex-morador de Vila Isabel, ele foi para a Barra quando se casou para realizar o desejo da mulher de morar no bairro. Depois de três anos encarando o trânsito, eles resolveram alugar um quarto e sala em Botafogo. Por um ano, passaram a semana na Zona Sul e os sábados e domingos na Barra, até que decidiram comprar um apartamento na planta em Botafogo e acabaram vendendo o da Barra.

O trânsito transformou o sonho da minha mulher em pesadelo. Viemos de vez para Botafogo. Mas ainda sentimos falta da infraestrutura que tínhamos na Península, onde podíamos $tudo com segurança. E minha mulher ainda sonha em voltar conta Barbosa.

Para Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio, outra tendência, entre aqueles que tiverem maior poder aquisitivo, é a compra do que ele chama de "propriedades-dormitório", até pela pouca oferta de imóveis para locação, especialmente na Zona Sul:

Isso já ocorre na Lapa e há áreas, como o Porto Maravilha, que poderão servir a esse fim.

Bianca Carvalho, da Central de Imóveis, concorda. Para ela, nem mesmo a chegada do Metrô à Barra deve fazer diferença nesse cenário, e a tendência é que, já a partir do ano que vem, muitos investidores procurem imóveis na região do Porto e de São Cristóvão, já que a locação por ali é certa:

Temos casos até de diretores de empresas que compraram imóveis na planta, especialmente em São Cristóvão e na Tijuca, sabendo que poderiam alugar a seus subordinados. É investimento com retorno certo.(G1)

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