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Por juros menores, consumidor busca financiamento que tem imóvel como compromisso de pagamento da dívida

segunda-feira, 3 de outubro de 2011


Grandes bancos como o Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e HSBC já têm linhas do chamado home equity, nome em inglês para as linhas de crédito sem finalidade específica, que usam imóveis como garantia



 (Beto Novaes/EM/D.A Press)


O corretor de seguros Júlio César Barros Pereira está construindo uma casa no Bairro Caiçara, em Belo Horizonte, com empréstimo que levantou de R$ 120 mil. Depois de rodar e analisar as taxas de juros oferecidas pelas instituições financeiras, Pereira encontrou uma alternativa mais fácil e barata ao bolso. Ele pegou o financiamento e deu como garantia outro imóvel que tem, no Bairro Jardim América. “Comparei todas as taxas de juros e a mais barata foi a que tinha o imóvel como garantia do empréstimo”, diz.

Pereira conta que, além de pagar taxa de juros menor, o dinheiro foi depositado em sua conta em 22 dias, sendo que outros bancos pediram prazo três vezes maior. Em troca do crédito, ele teve seu apartamento alienado pelo BM Sua Casa. “Peguei menos de 50% do valor do imóvel de empréstimo. O principal interessado em pagar o débito sou eu, já que eles têm a garantia do bem”, afirma.

Assim como Júlio Pereira, milhares de brasileiros estão recorrendo ao crédito com garantia de imóvel para pagar taxa de juros mais baixas. O apelo é sedutor: as linhas cobram taxas com juros a partir de 1,09% ao mês e até 30 anos para pagar. Quem concorda em dar o imóvel quitado como garantia do pagamento da dívida fecha com o banco acordo baseado na alienação fiduciária. Em caso de inadimplência, o banco tem o direito, por lei, de leiloar o imóvel para receber o pagamento. A Lei Federal 8.009/1990 estabelece que a única moradia da pessoa é impenhorável, mas há exceções. E uma delas ocorre quando o imóvel é dado como garantia em contrato.

Grandes bancos como o Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e HSBC já têm linhas do chamado home equity, nome em inglês para as linhas de crédito sem finalidade específica, que usam imóveis como garantia (veja abaixo). Outras instituições, como Intermedium e BM Sua Casa, também oferecem a modalidade de financiamento. Alguns bancos preferem não usar o termo home equity, pois temem confusão com o subprime (empréstimos hipotecários americanos de alto risco, que causaram a bolha imobiliária nos EUA). Os administradores das linhas de crédito dos bancos explicam, no entanto, que não há como associar a modalidade de financiamento brasileira à americana. Isso porque, nos EUA, houve concessão de crédito sem lastro.

No Brasil, a finalidade do dinheiro emprestado não preocupa os bancos. Como eles têm o bem em mãos e financiam no máximo 70% do valor do imóvel, a quantia entregue ao cliente pode ser usada para pagamento de dívidas, viagens, educação, reforma de imóvel, entre outros fins. “O refinanciamento com o imóvel de garantia vai ser o crédito consignado da década”, afirma João Vitor Menin Teixeira de Souza, diretor-executivo do Intermedium. O banco emprestou R$ 25 milhões dessa modalidade de crédito em 2010 e espera emprestar R$ 70 milhões este ano.

Taxa competitiva

“A taxa de juros dessa modalidade de crédito é competitiva se for comparada com outras como cartão de crédito e cheque especial. Mas é um pouco perigoso usar o apartamento próprio para financiar dívida de curto prazo. O consumidor deve, antes de mais nada, descobrir qual a razão de não conseguir gastar menos do que ganha e por qual razão está contraindo dívidas. Se ele continuar gastando mais do que ganha, o problema vai seguir existindo. E no caso de contrair empréstimo para usar no capital de giro da empresa, a pessoa vai colocar todos os ovos na mesma cesta. Ou seja, se a empresa tiver problemas, fica sem o imóvel próprio e o dinheiro do financiamento” (EstadodeMinas-02/11/11)

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