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Imóvel "zero" sumiu da praça em BH

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Nova Lei de Uso e Ocupação do Solo também prejudicou o mercado





Praticamente não há terreno em Belo Horizonte para construir imóveis novos


O ritmo da construção civil pode estar desacelerando em Belo Horizonte. Entre janeiro e julho deste ano, as construtoras lançaram 2.381 imóveis na cidade, 31% a menos do que os lançamentos do mesmo período do ano passado, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG). A pesquisa de julho é a mais recente sobre o tema. A desaceleração está ligada à falta de terrenos disponíveis para construção e também às restrições da nova Lei de Uso e Ocupação do Solo, que entrou em vigor há pouco mais de um ano.

O vice-presidente de materiais, tecnologia e meio ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Geraldo Jardim Linhares Júnior, diz que a redução no número de lançamentos imobiliários não deve acabar no curto prazo. "Hoje, o problema é falta de mão de obra. Em 2012, deve sobrar mão de obra porque as obras vão acabando e não tem novos lançamentos", afirma.

Ele cita como exemplo o Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte. Acostumado com dezenas de lançamentos todos os anos, o bairro teve apenas um novo empreendimento até agora em 2011. O Buritis foi um dos bairros mais afetados pela mudança na legislação. O coeficiente de construção no bairro, que era de 1,7 passou para um. Isso significa que antes era possível construir até 1,7 vezes a área de um terreno (por exemplo, erguer 1.700 metros quadrados em um terreno de 1.000 m²) e hoje é permitido construir apenas a mesma área do terreno. Em média, o potencial de construção da cidade foi reduzido em 10%.

O reflexo da falta de lançamentos aparece no volume de negócios. "As vendas esfriaram, realmente", diz o proprietário da Adbens Imóveis, Carlos Frederico Castro. Ele diz que o mercado está menos aquecido do que em 2010 e que os preços, que não paravam de subir, estão se estabilizando. Para Castro, as construtoras estão esperando vender os imóveis que já estão prontos para lançarem novos empreendimentos.

De acordo com a pesquisa do Ipead/UFMG, as vendas acompanharam a queda de lançamentos e recuaram 30,5%. O levantamento mostrou que nos sete primeiros meses do ano foram vendidos 2.542 unidades, frente a 3.660 no mesmo período de 2010.

Dois quartos. Os apartamentos de dois quartos foram a maioria entre os lançamentos deste ano em Belo Horizonte, com 44,7% do total de apartamentos colocados no mercado nos primeiros sete meses deste ano. As coberturas são o tipo de imóvel com menor participação, cerca de 5% do total, mostra o levantamento.



Verticalização
Prédios no lugar de casas
A falta de terrenos é um problema sério em Belo Horizonte. A expansão imobiliária dos últimos anos fez o preço dos terrenos subir muito e também praticamente esgotou as boas áreas disponíveis na cidade. As opções agora são comprar casas para demolição ou aproveitar terrenos que antes não despertavam a atenção, como aqueles muito acidentados e que demandam alto investimento em infraestrutura.

O vice-presidente do Sinduscon-MG, Geraldo Jardim Linhares Júnior, explica que tanto a negociação para compra de casas, quanto o investimento para nivelar o terreno, por exemplo, elevam o custo da construção e, em consequência, o preço final dos imóveis, além de aumentar o prazo de entrega dos imóveis.

O professor do MBA em gestão de negócios imobiliários da FGV/IBS, Paulo Pôrto, diz que outra alternativa é construir em regiões afastadas e até mesmo em cidades no entorno da capital. "As construtoras terão que buscar essas alternativas", diz. Ele completa que a construção em locais mais afastados depende de investimentos públicos. "O poder público tem que investir em infraestrutura urbana e em transporte", diz. (APP)

Construtora promete novidades até dezembro
Nos dez primeiros meses deste ano a Mobyra Incorporadora não fez nenhum lançamento em Belo Horizonte, mas promete compensar o atraso com dois novos projetos a serem apresentados até dezembro, um no bairro Gameleira e outro na avenida Barão Homem de Melo, ambos na região Oeste. A construtora também fará um lançamento em Betim, na região metropolitana. No ano passado, a empresa fez apenas um lançamento na capital. O diretor da empresa, Rodrigo Guaracy, diz que a empresa estava empenhada em uma obra no Nordeste e agora vai atuar mais fortemente em Minas Gerais. Ele também cita as mudanças na legislação como dificultador para novas obras. "Para compensar a perda do potencial construtivo, compramos um terreno maior", diz. (APP-OTempoBH)

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