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Greve da Caixa emperra financiamentos em BH

domingo, 2 de outubro de 2011

Paralisação total ou parcial das agências atrasa a assinatura de contratos e prejudica compradores



CARLOS ROBERTO
Joel Roseiro
O gerente administrativo da Rio Doce Imóveis contabiliza 22 processos parados
A greve dos bancários, que completa neste sábado (1°) seu quinto dia, já começa a afetar os trâmites dos financiamentos imobiliários concedidos pela Caixa Econômica Federal. A paralisação total ou parcial das agências, que implica na redução de pessoal para dar continuidade aos processos, atrasa ou emperra a aprovação e liberação de contratos entre compradores, via imobiliária ou construtora, e a Caixa, maior agente financiador do setor no país.

Na Rio Doce Imóveis / Rede Morar no Bairro Santa Amélia, na Região da Pampulha, os efeitos negativos são imediatos. O gerente-administrativo da imobiliária, Joel Roseiro, já contabiliza 22 processos de financiamento imobiliário parados. Ele relata que o volume de pessoas que dão entrada em negócios desta natureza por meio da Caixa é muito grande, o que impacta diretamente no número total de procedimentos aprovados ou em andamento na imobiliária.

O entrave prejudica ainda as transações futuras, pois menos clientes procuram a imobiliária e, consequentemente, dão entrada na documentação necessária para concretizar o financiamento. Segundo Roseiro, 80% das transações de compra na Rio Doce Imóveis são feitas por meio de financiamento. Deste total, 90% são negociados com a Caixa.

Na Adbens Imóveis, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul da capital, pelo menos quatro processos também estão parados na Caixa. O diretor da imobiliária, Carlos Frederico Guimarães Castro, diz que, do total de imóveis vendidos, 40% são através de financiamento. A Caixa representa a maior parte deste volume. “A greve também deixa as pessoas temerosas, o que acaba refletindo num número reduzido de novas vendas com esta facilidade”, diz.

O diretor da Adimóveis BH, no Bairro de Lourdes, Marco Aurélio Boson, também se queixa dos problemas enfrentados em virtude da paralisação dos bancários.

“Os casos que estavam em andamento realmente estão parados, à espera da regularização do atendimento para serem resolvidos. Para outros tipos de problemas, acabamos criando mecanismos facilitadores. Já no caso de financiamento, não há o que ser feito”, acrescenta.

O consultor jurídico da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Fernando Júnior, prevê o acúmulo de processos parados, caso a paralisação se estenda.

“A demanda por financiamento hoje é muito grande e extremamente importante para a receita das imobiliárias. Das transações de compra e venda, 80% são feitas através de financiamento. Se os processos ficam emperrados, a tendência é que outros clientes façam o negócio à vista ou que a frustração gere desistências ou cancelamento de pedidos”, pontua.

O vendedor Jean Mateus vive o impasse de quem optou por financiar um imóvel na Caixa, mas não consegue dar continuidade ao processo.

Ele comprou um apartamento na planta há um ano e agendou para esta semana a assinatura do contrato de financiamento na agência bancária. Para sua surpresa, como consequência da greve, teve o procedimento cancelado. O resultado será R$ 300 a mais no valor total financiado, que é de R$ 91 mil. “Se a greve for mantida, essa quantia vai ser ainda mais alta”, conta, explicando que, por mais um mês, devido ao atraso provocado pela greve, a correção do valor financiado será baseada no Índice Nacional de Custos da Construção (INCC).

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de BH e Região, Clotário Cardoso, a greve deverá ser mantida por tempo indeterminado, pois não há reunião marcada entre os representantes de patrões e trabalhadores.

Até sexta, quarto dia de paralisação, 84% das agências bancárias de Belo Horizonte e Região Metropolitana haviam aderido ao movimento, total ou parcialmente, segundo o sindicato. A Caixa Econômica Federal não se posicionou a respeito da paralisação dos trâmites de financiamento imobiliário.

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