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A influencia do IGP-M no aluguel

sábado, 22 de outubro de 2011


Calculado pela FGV, índice também funciona para reajustar o aluguel todo ano. Especialistas alertam que as pessoas devem se programar para não se assustar com a alta do valor
O economista Bento Félix garante que o valor do reajuste acumulado no decorrer dos anos excede o da inflação Fotos: Gilda DinizO Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas, foi concebido para ser utilizado como um indicador capaz de balizar as correções de alguns títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelos depósitos bancários com rendas fixadas em um tempo superior a um ano. O índice ainda não perdeu sua finalidade, mas, hoje, funciona também para corrigir contratos de aluguel anualmente e indexar algumas tarifas relacionadas aos imóveis.
Desse modo, o valor pago mensalmente pelo aluguel de uma casa sofre interferência do reajuste anualmente através de uma taxa que aumenta a quantia que o morador precisa pagar para a manutenção das prestações em dia. No entanto, muitos brasileiros não estão prestando atenção nas mudanças econômicas que o país sofre diariamente e, assim, não se programam para o reajuste do aluguel. Com isso, deixam de calcular esse gasto e de preparar o bolso para o aumento que acontece e tem ligação direta com a inflação.

"Todo contrato deve ter um reajuste e ser aumentado, no mínimo, com referência à inflação. Com as coletas do IGP-M pelos órgãos do governo, de captação de informação, como a FGV, constata-se que o índice está representado superiormente à inflação, a qual está abaixo de 1%", explica o economista Bento Félix, chefe do Departamento de Economia da UPIS – Faculdades Integradas.

Félix ressalta que o valor do reajuste acumulado no decorrer dos anos excede o da inflação: "Se um imóvel é alugado por R$ 1.000 e a inflação está em 0,5%, o reajuste seria de R$ 50. Mas, se o IGP-M apresentasse um valor de 0,7%, o valor seria aumentado para R$ 70. Esse valor acumulado até o final do ano seria maior que a inflação. Por isso o índice é bastante utilizado em contratos de imóveis", justifica. Bento alerta para a inconstância da economia: "Na economia brasileira, com imprevisibilidade em relação à inflação, é melhor para locador e locatário estipular o índice calculado pelo governo e não o índice calculado por iniciativa própria".

Variação


Piscitelli diz que, no caso do IGP-M, os valores se referem aos índices do atacado e neles há a composição de outros fatoresFotos: Gilda DinizPiscitelli diz que, no caso do IGP-M, os valores se referem aos índices do atacado e neles há a composição de outros fatores
Desde o começo deste ano, o IGP-M tem variado constantemente. Em janeiro, o índice estava em 0,79%; em fevereiro teve acréscimo de 0,21%, pulando para 1%. Em setembro o índice estava em 0,65%. Em agosto era de 0,44%. Félix observa que o índice é imprevisível, porém bastante alto: "O índice que calcula o valor dos imóveis tem quase dobrado de ano a ano. Tem sido muito alto. Isso acontece porque a oferta de imóveis é muito pequena. Portanto, o preço do imóvel tende a aumentar", aponta.

Mesmo assim, os índices de reajustes de diversos tipos, como o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) ou os de vendas, se comparados, apresentam níveis diferentes de importância. "Se formos analisar o valor de vendas, o valor do IGP-M se torna irrisório se comparado com a valorização do imóvel. A valorização do aluguel é menor que a do imóvel", complementa Félix.

Bento argumenta que dificilmente o reajuste sofrerá alteração negativa, abaixando os valores de aluguel. "O IGP-M nunca é reajustado para menos, sempre aumenta. Em casos específicos, quando há diminuição dos preços em geral, o que é chamado de deflação, a mediação do IGP abaixa. Mas quando os índices são ajustados normalmente, enquanto o país está sob inflação, isso nunca acontece".

Todo índice calculado por instituições diferentes e com uma premissa de utilidade pública apresenta uma metodologia de funcionamento e coleta muitas vezes difícil de compreender. "No caso do IGP-M, os valores se referem aos índices do atacado e neles há uma composição de outros fatores pela ponderação entre o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30%, Índice de Preços no Atacado (IPA), que tem o peso maior de 60% e o Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), com peso de 10%", enumera o economista e especialista em imóveis Roberto Piscitelli.

Ler o contrato é essencial
Para o locatário antecipar surpresas desagradáveis, a leitura do contrato e a estipulação de um preço espelhado na tabela do IGP-M de 2011, que é um instrumento essencial para realização de cálculos por detalhar os reajustes efetuados mensalmente e mostrar o acúmulo total dos valores, são iniciativas importantes.
Virgínia Duailibe ressalta que o IGP não influencia na compra de um imóvelFoto: DivulgaçãoVirgínia Duailibe ressalta que o IGP não influencia na compra de um imóvel
"O locatário deve acompanhar a evolução desses índices.  Assim, poderá se preparar para assumir o aumento do seu aluguel, na época especificada no contrato, em valor calculado pela média dos últimos percentuais indicados pelos índices de reajuste", frisa Virgínia Duailibe, presidente da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI). Ela acrescenta que o contrato de locação não estipula o valor do reajuste anual e as taxas de acréscimo. "No contrato, as partes determinam o índice a ser adotado para o reajuste do aluguel e periodicidade. Em geral o índice mais utilizado é o IGP-M, mas há casos em que essa escolha recai sobre o INPC, medido pelo IBGE, ou pelo IPC, medido pela Fipe".

Duailibe ressalta que o ÍGP não influencia na compra de um imóvel: "O Índice Geral de Preços acompanha a variação da inflação para produtos e serviços, onde se incluem os aluguéis. Atualmente, temos o Índice Geral do Mercado Imobiliário Comercial - IGMI-C, medido pela FGV, para calcular a rentabilidade dos imóveis comerciais. O IBGE e a própria FGV estão formatando mais dois índices para cálculo de preços de mercado para imóveis".(MaisComunidade.com)

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