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Aluguel de imóveis registra alta de preços

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Valores de apartamentos e casas aumentaram 10,02% no acumulado dos últimos 12 meses





Em alta. Locação de casas e apartamentos subiu mais que a inflação nos últimos meses; explicação estaria na demanda maior do que a oferta, mesmo com o aumento de unidades construídas




O aluguel residencial em Belo Horizonte vem sofrendo elevação ao longo do ano. Nos nove primeiros meses de 2011, o valor do aluguel residencial na capital acumulou alta de 7,64%, enquanto a inflação no mesmo período (IPCA-Ipead) foi de 5,83%.
Os dados são de uma pesquisa realizada pela Câmara do Mercado Imobiliário, pelo Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG) e pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas da UFMG (Ipead).
A pesquisa mostra ainda que, em setembro, quando a inflação foi de 0,33%, o aluguel se valorizou em 0,65% e, no acumulado dos últimos 12 meses, chegou a 10,02% (a inflação foi de 7,55% no período).
Segundo o presidente da CMI/Secovi-MG, Ariano Cavalcanti de Paula, a alta nos preços dos aluguéis é justificada pela demanda do setor.
"A demanda continua maior do que a oferta, mesmo com o aumento de unidades construídas. Porém, o aumento dos preços vem diminuindo. Isso é uma resposta do crescimento da oferta", garante.
De acordo com ele, a previsão para a estabilização dos preços é o ano que vem. "No entanto, estabilização não significa redução de valores. Significa que irão deixar de subir na velocidade com que estão subindo", explica Cavalcanti.

Construção também sobe. A combinação de carga tributária alta, preço de matéria-prima elevado e pesados encargos trabalhistas faz a construção civil brasileira ficar mais cara do que em outros países.
Segundo o presidente da MRV Engenharia, Rubens Menin, em Lourdes, bairro nobre da capital, o preço do metro quadrado fica entre R$ 10 mil e R$ 12 mil. Em Miami (EUA), o m² custa cerca de R$ 8.000.
Mesmo com os preços nas alturas, o setor imobiliário vem batendo recordes de venda. No primeiro semestre deste ano, as operações de crédito imobiliário com recursos da poupança somaram R$ 37 bilhões, volume 55% maior do que no mesmo período de 2010, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Foram financiados 236,5 mil imóveis, alta de 26% na comparação com o primeiro semestre de 2010.
Preço alto dificulta fiador

Mercado. Mesmo com aquecimento, oferta de imóveis ainda é menor do que a demanda; novos empreendimentos devem ficar prontos e a estabilização dos valores é prevista para 2012
A elevação dos preços dos aluguéis está dificultando a exigência de se conseguirem fiadores para os imóveis. Normalmente, a relação praticada é a da exigência de dois fiadores com renda líquida de dois aluguéis, sendo que o mercado exige até três ou quatro vezes o valor do aluguel residencial.
Foi o que aconteceu com a bibliotecária Maria Lúcia Veloso, 36, ao tentar alugar um apartamento de três quartos no bairro Gutierrez. Segundo ela, a procura foi longa até encontrar um imóvel compatível com suas expectativas financeiras e de localização.
"Eu visitei vários apartamentos e demorei para me definir. Quando, enfim, achei exatamente o apartamento que me atendia, tive a questão dos fiadores. A imobiliária me pediu dois fiadores, ambos com renda líquida três vezes maior que o aluguel, sendo um com casa própria. Ficou difícil", lamenta.
Segundo o presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG, Kênio de Souza Pereira, mais de 90% das locações são garantidas por fiadores.
"A segunda opção mais utilizada é a do seguro-fiança, mas ele tem um elevado custo, em torno de dois aluguéis por cada ano de garantia. A apólice do seguro-fiança deve ser renovada a cada 12 meses, o que resulta no custo para o inquilino de 14 aluguéis por cada ano de locação", explica.
Maria Veloso conta que, devido às exigências, não conseguiu a aprovação do contrato de aluguel e que, por fim, encontrou um outro apartamento que não cobria todas as suas necessidades, mas que oferecia mais facilidade para locação.
"Contar com ajuda de parentes e amigos para locar é muito chato. E ainda exigir uma renda tão elevada é mais complicado ainda. Por isso, quando encontrei um apartamento que permitia o seguro-fiança, eu preferi", afirma.
Dica. Segundo Pereira, é possível que as fichas cadastrais sejam aprovadas mais facilmente. "Os inquilinos devem compreender que as imobiliárias e os locadores são seus parceiros", disse.
Ele conta que tudo que comprove a capacidade do pagamento é benéfico para a aprovação da ficha cadastral.
"As fichas devem ser preenchidas com todos os dados possíveis, portanto, bem completa, para demonstrar a capacidade de pagamento e o patrimônio do pretendente e dos fiadores", explica o advogado.
Lei do Inquilinato faz 20 anos

Avanço. Letícia Madureira destaca a agilidade como uma das possibilidades da Lei do Inquilinato
Instrumento para regulamentar os contratos de locação de imóveis, a Lei 8.245/91, conhecida como Lei do Inquilinato, completa duas décadas neste ano. O texto sofreu algumas modificações ao longo do tempo, sendo a mais importante delas operada pela Lei 12.112/2009, que vigora há quase dois anos.
Segundo a advogada Leticia Madureira Horta Canabrava, da Barbosa, Castro & Mendonça Advogados Associados, a lei é fundamental para regulamentar as relações de locação imobiliária.
"A Lei do Inquilinato proporcionou durante esses 20 anos, e continuará proporcionando, a formação de uma relação mais justa e equilibrada na locação de imóvel urbano. Sendo a relação mais segura para os locadores, em especial com as últimas alterações sofridas pela lei, a oferta de imóveis tende a aumentar, o que beneficiará o mercado imobiliário com consequências diretas no âmbito econômico e social do país".
Letícia explica que as mudanças foram benéficas também para os proprietários de imóveis.
"Dentre as mudanças, as mais significativas foram as que criaram outras possibilidades de decretação de despejos liminares, em situações em que há riscos de prejuízo aos locadores, como, por exemplo, a inadimplência em locações sem garantia, pedido de exoneração pelos fiadores", explica a advogada.
Para esclarecer os aspectos da legislação, a Barbosa, Castro & Mendonça Advogados Associados realiza ciclo de palestras sobre os 20 anos da Lei do Inquilinato nos dias 26 e 27 de outubro (quarta e quinta-feira), das 19h às 22h, no Nacional Clube de Belo Horizonte (rua Josafá Belo, 100, bairro Cidade Jardim).
Os interessados em participar podem se inscrever pelo e-mail palestra@barbosacastro.com.br. As palestras são gratuitas e as vagas, limitadas. (LM-OTempoOnline)

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