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Queda da venda de imóveis impacta bancos em dois anos

quarta-feira, 21 de setembro de 2011




Nos primeiros sete meses de 2011, a venda de imóveis residenciais na cidade de São Paulo teve queda de 28,6% ante a de igual período de 2010, para 14.402 unidades, indica o Secovi-SP. Para as instituições financeiras, o recuo das vendas ainda não impacta o crédito. A Caixa Econômica Federal projeta expansão de 17% neste ano, para R$ 90 bilhões em volume de negócios. Já a Brazilian Mortgages, da BM Sua Casa, prevê ultrapassar R$ 700 milhões, mais do que o dobro da soma de 2010, de R$ 320 milhões. 

Especialistas, porém, revelam que há uma defasagem de dois anos, já que os bancos financiam somente imóveis finalizados, e a redução atual do crescimento atinge as construtoras, que comercializam unidades na planta. 

O professor do curso de administração da ESPM, André Accorsi, explica que regiões do Brasil já demonstram queda na demanda por imóveis por conta dos altos valores. "Nos últimos anos, os bancos facilitaram a concessão de crédito, o que aumentou a procura e gerou elevação dos preços. Agora ainda tem a facilidade, mas há a dificuldade em pagar as parcelas e, com isso, o consumidor pensa duas vezes. Além disso, vale lembrar que o crescimento do país não está no mesmo ritmo do ano passado."

Accorsi lembra que o Município de São Paulo apresenta a maior diminuição das vendas, principalmente no alto padrão. Segundo Secovi-SP, de 14,3% em julho ante 2010. "São Paulo foi onde houve o maior aumento por metro quadrado e a renda não acompanhou a valorização." 

No que se refere ao impacto no mercado de financiamentos, o professor ressalta que a ponta principal está na construção. "Quando o imóvel está pronto, que entram os bancos. Então, quem sente agora são as construtoras. Para o banco demora ainda dois anos." 

Com cerca de 80% de participação no crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal projeta expansão de 17% da carteira ao final de 2011, para a faixa entre R$ 85 bilhões e R$ 90 bilhões. Segundo o diretor de habitação da instituição, Teotônio Costa Rezende, o impacto da queda das vendas ainda não atingiu os negócios da Caixa. "Em termos de mercado, houve uma desaceleração, mas não sentimos impacto nos financiamentos da Caixa." O diretor destaca que, por dia, são finalizados entre 4,6 mil e 4,7 mil contratos, com o total de R$ 350 milhões.

No acumulado do ano, até o final da primeira quinzena de setembro, o banco negociou 747 mil novos contratos e acumula R$ 53,5 bilhões, acréscimo de 8% ao mesmo período de 2010, quando somou R$ 49,4 bilhões. Rezende detalha que o crescimento não ocorreu de forma tão intensiva devido à primeira fase do programa "Minha Casa, Minha Vida". "Até julho, o 'Minha Casa, Minha Vida' não estava contratando revisar as normas. Em 2010, o programa funcionava intensamente."

Com início no final de agosto, a primeira fase do programa de casas populares do Governo Federal, direcionado às famílias com renda de até três salários mínimo, já disponibilizou 9 mil unidades neste ano, parte das 46 mil unidades que finalizaram 2010 em análise. "Priorizamos o atendimento e a busca dos contratos que já estavam em tramitação. O objetivo para este ano é perseguir 100 mil imóveis."

Até o momento presente, a diminuição do crescimento do mercado imobiliário também não atinge a Brazilian Mortgages, companhia hipotecária que possui a BM Sua Casa para pessoas físicas, produtos para pequenas e médias incorporadoras e fundos imobiliários. Para o diretor da empresa, Vitor Bidetti, o movimento é natural. "Há uma acomodação natural do ritmo de crescimento que vinha muito forte para um sustentável. No crédito continua forte e a companhia continua a crescer ano a ano."

O segmento voltado para o consumo, a BM Sua Casa, constitui no investimento atual dos negócios da empresa, com elevação de 19 para 85 no número de pontos de atendimento no Brasil. Bidetti revela que em 2010 o volume gerado com o segmento chegou a R$ 320 milhões e, para 2011, a expectativa é de atingir R$ 700 milhões. "Em setembro, já está próximo dos R$ 500 milhões."

Da carteira, o carro-chefe é o refinanciamento do imóvel quitado, com 60% da originação de receitas. O diretor explica que o diferencial está na facilidade em obter 50% do valor do imóvel em forma de crédito de uso livre, com prazo de 30 anos e taxa de juros de 1,09% ao mês.

No segmento de pessoas jurídicas, o foco da Brazilian Mortgages está na concessão de financiamentos para pequenas e médias incorporadoras e construtoras. "É uma linha desenvolvida há 12 anos e que deve chegar a R$ 1 bilhão em 2011."

Outra instituição financeira a atingir significantes números no crédito imobiliário em setembro é o Banco do Brasil, com a marca de R$ 6 bilhões em volume de negócios, alta de 75,5%. Para o final do ano, a previsão do banco é de atingir R$ 7,5 bilhões, mais do que o dobro de 2010.(DCI)

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