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Saldo da caderneta não acompanha demanda por crédito imobiliário revela estudo

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Reflexo. Falta de recursos na poupança fará oferta de crédito cair e elevará custo de financiamento

A partir do ano que vem, o estoque da caderneta de poupança para crédito imobiliário pode acabar. Na previsão mais otimista, segundo estudo do mestre em Habitação pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Roberto Ferreira Mendes, os investimentos habitacionais chegarão ao total disponível na poupança (R$ 560 bilhões) em dezembro de 2014. A mais pessimista - da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) - aponta o final de 2012 como data em que não haverá mais saldo para emprestar a quem quiser comprar ou construir imóveis.

Ambos os estudos baseiam-se na saída de dinheiro pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e no saldo da poupança desde 2007 e, na semana passada, ganharam respaldo do próprio governo, quando o secretário-adjunto do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, disse que "o volume de crédito imobiliário atingiu 62% dos depósitos. Temos uma margem de 3% para trabalhar, o que já acende a luz amarela para nós". A declaração foi feita durante evento sobre fundos imobiliários, em São Paulo.

A solução é quase um consenso no setor: incremento dos fundos de investimentos imobiliários e da securitização. Essa consiste, grosso modo falando, na "revenda" dos contratos de financiamento a juros mais baixos, por meio de Certificados Recebíveis Imobiliários (CRIs). Os CRIs são papéis reconhecidos no mercado de ações e suas emissões são fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Argumento ao qual os defensores dessa solução recorrem para afastar os fantasmas das crises vivenciadas pela Espanha e Estados Unidos, esta mais recente.

No entanto, há dúvidas de quando essas fontes alternativas se estabeleceriam como principais para o crédito imobiliário. "Vai depender, principalmente, da mudança cultural do empresário brasileiro", alerta o economista do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti.

"A Abecip estima que, em 2013, a poupança precisará de R$ 100 bilhões adicionais para dar conta do crédito imobiliário. Quando não tiver mais jeito, a securitização será a única saída e o setor irá aderir", acredita Furletti.

Enquanto isso não acontece, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) coloca nas mãos do governo federal algumas atitudes que poderiam evitar o colapso e articula pela mudanças na destinação de 65% dos depósitos na caderneta de poupança para o SBPE. De acordo com o presidente da entidade, Paulo Safady Simão, as regras são "muito flexíveis" para o quadro atual e permitem que o dinheiro não seja totalmente destinado só ao setor imobiliário. A revisão das regras, admite Simão, apenas daria fôlego extra ao SBPE. "Cinco anos a mais permitiram crescer as outras fontes de recursos", diz Simão.




CONSEQUÊNCIA
Esgotamento vai deixar financiamento mais caro

O esgotamento dos recursos da caderneta de poupança para financiamento imobiliário traria obstáculos ao crescimento do setor. Os mais imediatos seriam elevação do custo do crédito, o que reduziria o volume de "tomadores de empréstimos", e a queda no preço dos imóveis. Este pode parecer interessante ao comprador, à primeira vista, mas a desaceleração teria consequências ruins para todos, afirma o presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI / Secovi-MG), Ariano Cavalcanti. De acordo com ele, o baixo preço não ajuda muito quando o comprador não tem acesso ao crédito, mesmo que seja complementar.

Cavalcanti admite que a saturação do atual Sistema Financeiro de Habitação é preocupação dos representantes do mercado imobiliário no Estado. Porém, existe a expectativa de que surjam alternativas a partir da mobilização do setor. Nos debates mais recentes, a securitização tem ganhado força, confirma Cavalcanti, mas ele acha que é preciso fazer mais e de forma mais intensa para que essa modalidade financeira se intensifique.

Outra possibilidade vislumbrada pela CMI/Secovi-MG é a de as construtoras ou bancos recorrerem ao capital externo. Nesse caso, o dinheiro poderia entrar por duas portas: migração de recursos internacionais via instituições financeiras ou por meio de investidores em empreendimentos voltados para pessoas físicas. "O mercado, que estava acomodado há mais de 30 anos num SFH com sobra de dinheiro, terá que se mexer", disse. (NS)

RAIO-X


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