Pesquize em toda a Web

Mercado Imobiliario - Ano começa com bons numeros

sábado, 9 de abril de 2011

Projeções realizadas pelo Banco Central indicam crescimento de 6,6% na construção civil este ano e uma valorização dos preços dos imóveis

Beto Novaes/EM/D.A Press
O setor da construção civil gera muitos postos de trabalho e reflete-se na atividade de vários outros segmentos, alcançando papel de destaque na economia. Este ano, esse protagonismo deve se manter, uma vez que projeções realizadas pelo Banco Central indicam crescimento de 6,6% na construção, maior até que a evolução do país, que tem expectativa de crescer 4,5%.

Dados da Fundação João Pinheiro (FJP) indicam alta de 8,8% no PIB do setor em Minas Gerais, no acumulado dos três primeiros trimestres de 2010. Em consequência, o número de vagas formais geradas foi positivo. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), na Região Metropolitana de Belo Horizonte foram criadas, no ano passado, 9.424 vagas de trabalho no setor. Em Minas, foram contabilizadas 36.563 vagas com carteira assinada na construção e no Brasil, 329.195.

Para José Francisco Couto de Araújo Cançado, vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), as perspectivas positivas para o dinamismo das atividades da construção passam pela continuidade do crescimento do crédito imobiliário. "Os juros do financiamento imobiliário são os mais baixos do mercado. E para aquisição de um bem de raiz", defende. As taxas de desemprego em menores patamares e o crescimento da renda da população impulsionam a demanda por crédito imobiliário.

De acordo com os dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em 2010, o financiamento imobiliário com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançou recorde, com 421.386 unidades financiadas, o que significou alta de 39,22% em relação ao ano anterior. Em valores, correspondeu a mais de R$ 56 bilhões. Em 2009, os financiamentos imobiliários com recursos do SBPE totalizaram cerca de R$ 34 bilhões, correspondentes a 3,92% do PIB, de acordo com informações divulgadas pelo Banco Central.

Questionado sobre até que ponto esse aumento do crédito imobiliário atende o interesse do consumidor, já que essa abundância elevou a demanda pela casa própria e gerou valorização de até 150% nos imóveis em BH, entre 2004 e 2010, José Francisco faz algumas considerações. "Se você comparar o percentual do crédito imobiliário frente ao PIB verá que o Brasil ainda tem números inferiores. Canadá, Espanha e Alemanha lideram o ranking, com 63%, 62% e 40%, respectivamente. E temos um déficit habitacional de quase 6 milhões de moradias. O mercado precisava de um equilíbrio. Ficou parado muito tempo e só agora está realinhando seus valores. Mas, realmente, quando há um aumento na demanda, o preço reage. É como o ditado, quem nunca comeu melado, quando come se lambuza", pondera. Fato é que, pela pesquisa Construção e comercialização, realizada mensalmente pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG), não existem mais imóveis de até R$ 100 mil na capital.


Muitos desafios pela frente


Escassez de terrenos, juros altos e falta de mão de obra são questões que precisam ser consideradas para o planejamento de atividades
Eduardo Almeida/RA Studio
Para o vice-presidente do Sinduscon, José Francisco Cançado, o aumento dos juros é um fator inibidor para as atividades produtivas
A nova fase do programa Minha casa, minha vida e as perspectivas da continuidade do incremento do crédito imobiliário, em um ambiente com baixa taxa de desemprego, trazem otimismo para o setor. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) acredita que o financiamento imobiliário, com os recursos da poupança, totalize R$ 85 bilhões. Caso confirmado, esse resultado indicará crescimento de 51% em relação a 2010. Já o número de unidades financiadas (também com recursos da poupança) poderá chegar a 540 mil, o que implicaria alta de 28% em relação ao ano passado. Além disso, as obras de infraestrutura em geral, com destaque para as demandadas pela Copa do Mundo e Olimpíadas, ajudam a projetar um ambiente promissor para o segmento.

Apesar das perspectivas positivas, o desenvolvimento da construção civil encontra alguns desafios pela frente. Novas fontes alternativas de crédito imobiliário, a falta de mão de obra qualificada, a forte competição no mercado, a escassez de terrenos, o aumento da participação do crédito imobiliário no PIB, os juros altos, o elevado custo da mão de obra, a baixa taxa de investimentos no país, a burocracia no licenciamento dos empreendimentos e a precária infraestrutura são algumas das principais questões que precisam ser consideradas para o planejamento de atividades.

Segundo José Francisco Couto de Araújo Cançado, vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), a atuação das empresas e do sindicato na capacitação da mão de obra e na adoção de novas tecnologias e equipamentos que ajudam a otimizar as obras ainda não foram suficientes para atender a demanda por profissionais. A escassez de mão de obra é entendida quando se veem os números. O número de unidades vendidas nos últimos dois anos ultrapassou a casa dos 6 mil, contra uma média histórica de 3 mil. E a área licenciada pela prefeitura para edificações saltou de 1 milhão de metros quadrados em 2006, para 5 milhões de metros quadrados ano passado.

No campo econômico geral do país, as expectativas sinalizam que o PIB nacional, apesar de positivo, ficará inferior ao registrado no ano passado. O Banco Central projeta alta de 4,5%, a mesma estimativa realizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Aliás, a expansão da economia, em torno de 4,5%, é quase um consenso entre os analistas de mercado. É preciso lembrar da forte base de comparação que foi 2010 e considerar que o novo dinamismo pode ser mais sustentável.

INFLAÇÃO 
Para tentar conter o avanço da inflação, que, em janeiro, ganhou maior destaque nas preocupações dos analistas, o Comitê de Política Monetária (Copom), em sua primeira reunião este ano, aumentou a taxa de juros (Selic) para 11,25%. "O aumento dos juros é um fator inibidor para as atividades produtivas e para o investimento do país. Os efeitos maléficos dos juros altos passam, ainda, pelo maior custo de capital de giro das empresas e encarecimento do crédito ao consumidor. Os juros altos quebram esse ciclo virtuoso pelo qual a economia passa atualmente", aponta José Francisco.

Nesse contexto, o corte de gastos anunciado pelo governo foi visto como um ponto positivo pelo setor. A medida foi interpretada como uma iniciativa que demonstra que não se concentrará somente na política monetária (juros) a tentativa de resolver a questão do aumento dos preços na economia, mostrando que o governo federal não está abandonando a autoridade monetária no combate à inflação, já que a estabilidade dos preços é uma questão essencial para manter o equilíbrio macroeconômico do país. O corte significa também que o governo está preocupado em colocar as contas públicas no seu caminho. "Os investimentos produtivos na economia dependem de um saudável ambiente econômico, que proporciona maior garantia e estabilidade", garante José Francisco.(Uai-LugarCerto)

0 comentários:

Postar um comentário

  © Blogger template On The Road by Ourblogtemplates.com 2009

Back to TOP