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Apartamentos em Ipanema tiveram valorização de 600% em 10 anos

sexta-feira, 8 de abril de 2011



Foto: Pedro Kirilos/Riotur
Imóveis localizados no trecho entre Ipanema e Lagoa, na zona sul do Rio de Janeiro
Imagine que você tenha comprado em 2001 um apartamento de três quartos em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Dez anos depois, você decide vender o imóvel. Uma negociação corriqueira, não fosse um detalhe: o valor do apartamento está quase 600% maior do que quando comprado – 598,2%, para ser preciso. A situação que a princípio pode parecer exagerada reflete a realidade, segundo uma pesquisa feita pelo Sindicato da Habitação do Rio (Secovi-Rio) sobre a variação do valor dos imóveis entre fevereiro de 2001 e fevereiro de 2011 na capital fluminense.

Além de liderarem a variação de valor para venda na década, os bairros de Ipanema e Leblon também aparecem no topo da lista na relação referente ao período de janeiro a dezembro de 2010. Ipanema teve o maior aumento em apartamentos de três quartos – 72,2%. Leblon aparece em terceiro lugar, com 53,6%. A segunda colocação nessa lista ficou com Copacabana, com 55,3%.De acordo com o levantamento, um apartamento de três quartos em Ipanema, cuja média de preço há dez anos era de R$ 316 mil, agora custa R$ 2,2 milhões. O aumento também foi grande no Leblon, bairro vizinho, onde o acréscimo foi de 426% no mesmo período. Seguido de perto está o Centro, com 425% a mais no valor para o mesmo tipo de imóvel. Para efeito de comparação, a variação da inflação registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre fevereiro de 2001 e fevereiro de 2011 foi de 91,85%, segundo o IBGE.
“Não há terreno para novas construções em Ipanema e no Leblon. Esses bairros, assim como o restante da zona sul, estão saturados. Mesmo assim, a procura vem aumentando e, com a demanda aquecida, os preços sobem”, explica o vice-presidente do Secovi-Rio, Leonardo Schneider. “Já o centro é um local diferente, resgatado nos últimos anos. Existem poucos imóveis nessa área e esses ficaram visados devido aos investimentos que a região tem recebido. Isso atraiu o mercado”, completa.
Copa do Mundo, Olimpíadas e UPPs
Para especialistas, alguns fatores associados favorecem o aquecimento do mercado imobiliário. Uma economia estável, a estabilidade monetária, ampla oferta de crédito e a melhora de renda da população criam um cenário macroeconômico propício à elevação das vendas de imóveis.
“Com a facilidade ao crédito, o leque de compradores foi ampliado. Antigamente, o imóvel era financiado pela construtora em um prazo curto com uma cobrança de juros desde o início da compra. Hoje, o comprador paga juros só depois que recebe o imóvel. Em paralelo, a abertura de linhas de crédito nos bancos criou prazos longos de financiamento com taxas mais atrativas”, diz o vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Claudio Hermolin.
Foto: Agência O GloboAmpliar
Vista aérea do Leblon e de Ipanema: dez anos de supervalorização imobiliária
A injeção de otimismo na cidade com a escolha para sediar eventos esportivos importantes, como a final da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a pacificação de favelas cariocas através do projeto das UPPs também favorecem o mercado.
O bairro da Tijuca, área tradicional da zona norte do Rio, é um exemplo de valorização após a ocupação policial em comunidades. Hoje a área conta com UPPs em quatro favelas localizadas no bairro e a valorização dos imóveis foi quase imediata.
De janeiro a dezembro de 2010, a valorização dos apartamentos de três quartos foi de 51,5%, segundo o Secovi-Rio. A taxa de variação é superior a de bairros nobres da zona sul carioca, como Jardim Botânico (30,8%) e Lagoa (40,6%). “A pacificação de favelas resgatou muitos bairros e ruas que estavam abandonados”, avalia Schneider.
Sem bolha imobiliária e subprime
Segundo análises feitas pelos especialistas, o cenário brasileiro e, em especial o carioca, é distinto do que deu início à crise econômica americana em 2008, com a bolha imobiliária e o subprime, as chamadas hipotecas de risco. No caso dos Estados Unidos, houve uma elevação dos preços por excesso de crédito e especulação de investidores, que compraram para depois revender com lucro no curto prazo.
“Nosso sistema financeiro é restritivo. Uma pessoa que quiser pegar um financiamento no banco para comprar um apartamento e, já tiver outro financiamento, não vai poder pegar. O comprador também não consegue hipotecar seu imóvel que está financiado para conseguir outro financiamento”, explica Hermolim.
Para os vice-presidentes da Ademi e do Secovi, o ritmo aquecido do mercado carioca deve se manter nos próximos anos, mas com uma velocidade menor. “Muitos financiamentos estão acontecendo, muita gente está investindo no Rio, há projetos de infraestrutura na cidade que ainda não foram finalizados e que quando terminarem vão atrair outros. Então, ainda existe espaço para crescer. Até 2016, o mercado se sustenta”, opina Schneider.(IG)

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