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Empresas de alto luxo criam estratégias para atender as classes média e popular

quinta-feira, 17 de março de 2011

Construção civil entra em uma nova fase e empresas de alto luxo criam estratégias para atender as classes média e popular
Eduardo Almeida/RA Studio
Marcelo Dzik diz que, com a abertura da Open, a Even está aliando a qualidade dos empreendimentos de alto padrão à melhor relação custo-benefício
Com o aquecimento da construção civil e as facilidades de financiamento disponíveis, boa parte da população acredita ter agora condições de sair do aluguel e realizar o sonho da casa própria. Para atender essa demanda, construtoras procuram se adequar ao mercado, oferecendo novo produto para uma grande massa potencial de compradores.


Uma delas é a PHV Engenharia, responsável por apartamentos e edifícios comerciais de luxo na capital. Para atender esse público, a empresa criou, no fim do ano passado, a Construtora Horizontes, com apartamentos menores e preços mais competitivos, que contemplam a faixa de até 10 salários mínimos.



A Even Construtora e Incorporadora é outra que resolveu investir no segmento. Para isso, foi criada a marca Open, destinada a atender, sobretudo, jovens casais, solteiros ou quem procura o primeiro apartamento. A construtora é resultado de uma estratégia de diversificação da Even e tem como público-alvo clientes que recebem de cinco a 15 salários mínimos.



A marca, que chega agora ao estado, foi lançada há cerca de dois anos em São Paulo. Em BH, já foi feita a prospecção de terrenos para a Open, que vão se concentrar, inicialmente, na Região da Pampulha. Os apartamentos podem ter entre 50 metros quadrados (m²)e 60m² (com dois quartos) ou entre 60m² e 70m² (três quartos). As unidades serão comercializadas, em média, por valores que vão de R$ 100 mil a R$ 250 mil.



De acordo com o gerente geral da Even em Minas Gerais, Marcelo Dzik, a Open é uma marca diferenciada, capaz de elevar o padrão de qualidade dos empreendimentos imobiliários econômicos do estado. "Ao lançar a marca Open, estamos aliando a qualidade dos empreendimentos de alto padrão à melhor relação custo-benefício", frisa.



Com atuação no segmento de alto luxo desde 1980, a Patrimar também diversificou os negócios, como conta o diretor-presidente da empresa, Marcelo Martins. Com a incorporação da Novolar, agora é possível atender o segmento de médio padrão. "A decisão de incorporá-la ao grupo vem da estratégia de expandir a área de atuação, oferecendo opções para outros públicos."



DEMANDA 

O presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, atribui essa diversificação nos negócios ao contingente do segmento popular, que é muito maior no Brasil do que os médio e de luxo. "Então, a demanda é maior. Principalmente agora, com os programas habitacionais do governo, que oferecem subsídios, e o volume de financiamento voltado para esse segmento."(UAI-LugarCerto)



Investimento na diversificação



Mudanças no cenário econômico do país e aumento do poder aquisitivo provocaram um reposicionamento em relação a empreendimentos voltados para as classes média e popular
PHV/Divulgação
Diretor Paulo Henrique Vasconcelos conta que a Construtora Horizontes utiliza ações já implementadas na PHV Engenharia, como programa de desperdício zero
A demanda reprimida de pessoas, que, por muito tempo, não tiveram condições de comprar imóveis, é outro motivo apontado pelo presidente da CMI/Secovi-MG, Ariano Cavalcanti. Isso, juntamente com um número de pessoas que ingressaram ou subiram para as classes C e D, reforça essa procura, atraindo o interesse dos incorporadores, como observa o presidente.

Apesar da criação de novas incorporadoras, a percepção de que investir no segmento popular é algo viável não é tão recente assim. Cavalcanti conta que alguns construtores já vinham explorando esse filão de mercado há muito tempo. "Esses são os que mais vêm crescendo no país, porque há um volume muito maior de pessoas procurando imóveis do segmento popular."

Mesmo sendo sempre maior a demanda por imóveis populares, até o início dos anos 2000 as pessoas de baixa renda não tinham acesso a esse mercado, conforme observa Cavalcanti. "Temos apenas 16 anos de moeda estável e o financiamento começa a ser acessível a partir de 2000, como resultado da estabilização da moeda, da diminuição da taxa de juros e do controle da inflação."

O conselheiro Sílvio de Castro Amorim Ximenes de Souza, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), vê como positivo o interesse em atender a base da pirâmide social, que representa um mercado muito grande. E o reposicionamento das empresas consolidadas no mercado de alto e médio padrões só vem agregar em termos de qualidade. Com a criação de novas marcas, conserva-se o perfil construtivo das incorporadoras e as pessoas de classes mais baixas, que compram um imóvel das novas construtoras, associam essa aquisição a empreendimentos que já têm qualidade reconhecida por pessoas de médio e alto padrões.

O diretor-presidente da Patrimar, Marcelo Martins, fala que a demanda por imóveis, mesmo de médio padrão, vem desde a década de 1980. Entretanto, a política econômica do país não disponibilizava boas condições de financiamento. "Finalmente, no ano 2000, data de fundação da Novolar, constatamos as condições econômicas favoráveis e a oportunidade de realizar bons negócios neste segmento", fala Marcelo Martins.

Para entrar nesse novo mercado, muitas construtoras realizam pesquisas para avaliar o potencial do local onde será implantada a nova incorporadora, como é o caso da Even, que lançou a Open. A partir daí, a empresa procurou bons negócios em seus diversos segmentos de atuação, como fala o gerente geral da empresa em Minas Gerais. "Com o desenvolvimento da região Norte e a disponibilidade de crédito, o momento é oportuno para esse tipo de lançamento", Marcelo Dzik.

Além disso, tornou-se necessário um novo modelo de planejamento voltado especificamente para este mercado, com adaptações e prevenção quanto à falta de material e de mão de obra qualificada, e alta dos preços. Oferecer imóveis econômicos, mas sem perder a qualidade, é outro desafio para as construtoras de alto luxo que entraram nos mercados de padrão médio e popular.

QUALIDADE 

Para solucionar esse impasse, o diretor da PHV Engenharia, Paulo Henrique Vasconcelos, fala que a Construtora Horizontes utiliza ações já implementadas na PHV durante a idealização e execução de seus empreendimentos. "Como o programa de desperdício zero e soluções de projetos mais econômicas." No Residencial Parque dos Ipês, por exemplo, foi prevista a economia de resíduos com emprego de um moinho para aproveitamento e reciclagem e a adoção de cursos de formação de mão de obra nos próprios canteiros.

A fim de otimizar e racionalizar o uso de material, na Horizontes foi adotado, entre outras estratégias, um sistema de planejamento e controle de compras e o acompanhamento sistemático de índices de produtividade e custos. Também foi empregado controle da qualidade de material e da execução de serviços por laboratório técnico, visando garantir o cumprimento dos prazos contratados.

Qualidade que cabe no bolso



Patrimar/Divulgação
Marcelo Martins, diretor-presidente da Patrimar, diz que principal característica incorporada aos imóveis é a diversidade da área de lazer
A qualidade construtiva é uma das maiores preocupações dos públicos de padrão médio e popular quando vão adquirir um imóvel da Horizontes, segundo o diretor da PHV Engenharia, Paulo Henrique Vasconcelos. "Além disso, facilidade de pagamento e agilidade na aprovação de cadastro são determinantes na hora de fechar o negócio", acrescenta.

Marcelo Dzik, da Even, também aponta as condições facilitadas de pagamento, com parcelas mensais baixas, e a possibilidade de boa parte do valor ser financiada depois da entrega das chaves como diferenciais. "Apostamos, ainda, em produtos com boas plantas, área de lazer e segurança, infraestrutura e fácil acesso à Região Central da cidade."

Já a Novolar investe também nas áreas de lazer nos empreendimentos voltados para a classe média. Isso porque, segundo o diretor-presidente da Patrimar, Marcelo Martins, esse público preza cada vez mais pela qualidade de vida. "A principal característica incorporada aos imóveis Novolar é a diversidade da área de lazer. Além disso, as opções de plantas com varanda gourmet, home-office, sala estendida, entre outras, são similares aos empreendimentos Patrimar."

TOPOGRAFIA 

Entre as regiões mais visadas por esses públicos estão a Pampulha, Nova Lima e o Vetor Norte (área do aeroporto de Confins, Lagoa Santa e municípios próximos). O conselheiro do Creci-Minas Sílvio Ximenes aponta, ainda, cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, como Betim, Contagem, Sete Lagoas e Pedro Leopoldo, que, segundo ele, têm topografia muito mais tranquila.(UAI-LugarCerto)

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