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BH: Falta de imóveis de até R$ 100 mil derruba vendas em 25%

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Cristina Horta/EM/D.A Press
"As casas estão migrando para outras cidades da Região Metropolitana, como Contagem e Betim. Aqui (BH), essa faixa praticamente não existe mais", pondera o vice-presidente do Sinduscon-MG



Imóveis novos de até R$ 100 mil praticamente não existem mais em Belo Horizonte. No primeiro semestre do ano, não houve nenhum lançamento na capital dentro desta faixa de preço e quem estiver à procura de uma unidade que se encaixe neste perfil terá que lutar pelo único exemplar disponível até junho, se é que ele ainda está no mercado. O cenário desfavorável para a baixa renda puxou a queda de quase 25% na venda de imóveis no primeiro semestre deste ano na capital, comparado ao mesmo período de 2009. Enquanto nos seis primeiros meses do ano passado foram comercializadas 1.468 casas próprias de até R$ 100 mil, neste ano foram apenas três até junho, queda de 99,8% (veja quadro).

Os dados fazem parte da pesquisa Construção e comercialização de imóveis novos em Belo Horizonte, realizada em junho pela Fundação Ipead/UFMG e divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG). Para o vice-presidente do Sinduscon-MG, José Francisco Couto de Araújo Cançado, a escassez de terrenos na cidade, aliada à elevação acentuada nos preços, inviabiliza a construção de novas unidades nesta faixa. “Já estávamos sentindo a falta de oferta de imóveis até R$ 100 mil, mas não neste nível. O preço dos terrenos subiu muito e a nova Lei de Uso e Ocupação do solo só piorou a situação, já que os terrenos terão menos coeficiente de construção”, avalia. Com menos unidades construídas para a mesma área, a tendência é que os imóveis fiquem ainda mais caros.

O cenário atual dificilmente será contornado. “É um patamar no qual não vamos mais conseguir atuar a não ser que seja fora de Belo Horizonte, como muitas construtoras já têm feito. Elas estão migrando para outras cidades da Região Metropolitana como Contagem e Betim. Aqui, essa faixa praticamente não existe mais”, pondera José Francisco. O foco do mercado agora se volta para a faixa de imóveis entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, cujas vendas mais que dobraram entre o primeiro semestre de 2009 e 2010. “A base de comparação do ano passado estava deprimida pela crise econômica com vendas aquém do esperado. Hoje, a demanda voltou à normalidade”, afirma.

Os estoques, que chegaram a mais de 2,3 mil unidades disponíveis para comercialização, ainda são considerados baixos. “A média histórica gira na ordem de três a quatro mil unidades. Alguma especulação do mercado é consequência disso”, acrescenta.

As dificuldades de atendimento da demanda de consumidores da baixa renda também são sentidas pelo programa do governo federal Minha casa, minha vida, que até hoje não deslanchou nenhum projeto para a faixa de renda entre zero e três salários mínimos, com valor do imóvel em até R$ 46 mil. “Em Belo Horizonte, infelizmente não teremos condições de atender a meta de 10,4 mil unidades para esta faixa até o final do ano”, afirma o gerente regional da Caixa Econômica Federal (CEF) em Minas Gerais, Marivaldo Araújo Ribeiro.

A prefeitura de BH ainda está providenciando terrenos públicos para doação à Caixa para viabilização dos projetos, já que o custo dos terrenos seria eliminado. “Mas é um processo ainda moroso. De qualquer forma, na Região Metropolina já devemos fazer as primeiras entregas no final de setembro ou início de outubro”, acrescenta Marivaldo.(Lugarcerto-Uai)

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