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Aluguel sobe o dobro da inflação em Curitiba

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Aos últimos 12 meses, enquanto o índice mais usado para reajustar contratos teve alta de 5,79%, o valor da locação subiu quase 12%. Desproporção foi ainda maior em julho

O valor de locação de imóveis residenciais na capital paranaense acumulou alta de 2,85% na passagem de junho para julho, período em que a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou praticamente estável, com variação de 0,01%. Nos últimos 12 meses, o preço dos novos contratos de aluguel acumula alta de 11,72%, o dobro do IGP-M – índice mais usado nos contratos para cálculo de reajuste –, que teve alta de 5,79% no mesmo período. Os dados fazem parte da análise mensal do mercado de locação em Curitiba, feita pelo Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR).

Para o presidente do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Impespar), Luiz Fernando Gottschild, a aceleração na inflação dos aluguéis está diretamente relacionada à forte valorização no preço de venda dos imóveis. “O proprietário calcula o aluguel com base no preço de mercado do imóvel – geralmente algo entre 0,6% e 0,7% do valor. De fato, percebe-se no dia a dia que o preço do aluguel hoje não é mais o mesmo de um ano atrás”, diz Gottschild.

O presidente da Imobiliária Gonzaga, Roberto Gonzaga, também atribui a pressão no preço dos aluguéis à falta de imóveis disponíveis. “Curitiba tem hoje 4 mil imóveis residenciais numa cidade de quase 2 milhões de habitantes. A demanda é maior que a oferta”, avalia.

O representante comercial Alexandre Kaufmann conta que levou cerca de um mês pesquisando até encontrar um imóvel ideal para alugar. Há uma semana, ele se mudou com a esposa e os dois filhos de um apartamento de 3 quartos, no bairro Rebouças, para um sobrado, também de três quartos, no Boqueirão. “Com mais um filho a caminho optamos por uma casa maior”, diz. A mudança para um lar maior teve o seu preço. O aluguel passou de R$ 1.050 para R$ 1.250, mesmo assim Kaufmann considerou o preço razoável. “Ficou dentro das expectativas e daquilo que o mercado está praticando”, avalia.


Frustração
Nova Lei do Inquilinato não reduziu preços
Apontada pelo mercado imobiliário como uma mudança capaz de reduzir o preço dos aluguéis, a nova Lei do Inquilinato – que entrou em vigor no dia 25 de janeiro – teve, na prática, efeitos contrários. A tese defendida durante a tramitação do projeto foi a de que a agilização nos processos de despejo (reduzidos de 18 meses para 30 dias) colocaria 3,5 milhões de imóveis de volta ao mercado de locação, provocando aumento na oferta e redução natural no preço dos aluguéis. “Na prática, menos de 20% deste total foi atingido”, justifica o empresário Roberto Gonzaga. O presidente do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Impespar), Luiz Fernando Gottschild, no entanto, destaca a maior segurança jurídica para o setor. Segundo ele, desde janeiro a inadimplência média do setor imobiliário caiu de 12% para 8,5% no mercado paranaense. “É impossível não atribuir essa melhora à nova lei”, considera. (ACN)(GazetaDoPovo-Curitiba-PR)

Veja o gráfico com os índices de reajustes dos alugueis


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