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Mercado Imobiliario: Preços de imóveis no Rio sobem até 76%

terça-feira, 13 de julho de 2010

Preços de imóveis no Rio sobem até 76% e especialistas veem novas altas

RIO - A valorização de imóveis no Rio parece a cada dia testar seus próprios limites. Em apenas seis meses, o preço médio de um apartamento de quatro quartos em Ipanema subiu nada menos que 76,59%, para R$ 2,556 milhões. Apartamentos menores e em outros bairros também viram altas significativas. Um imóvel de dois quartos no Flamengo teve o preço médio elevado em 44,89% entre dezembro de 2009 e junho passado, para R$ 477.692, segundo o Sindicato de Habitação do Rio (Secovi Rio).

É uma alta que supera os ganhos médios das principais aplicações financeiras. No mesmo período, um fundo de renda fixa rendeu meros 5,26%, enquanto um fundo DI teve valorização média de 4,35%, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O Ibovespa, referência da Bolsa de Valores de São Paulo, caiu 11,16% nesse período.

Queda de preços, só após Olimpíadas, dizem analistas
Fatores como alta da renda, expansão do crédito imobiliário, crescimento do Rio, maior sensação de segurança com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e escassez de terrenos na Zona Sul explicam o cenário extremamente aquecido. Uma ajuda extra veio com a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016, anunciada em outubro, sem esquecer a Copa de 2014.

- A expansão ocorre em todo o país, mas talvez um pouco mais no Rio. Nunca vi tantas conexões de bons fatores ao mesmo tempo - afirma o presidente da construtora Concal, José Conde Caldas.

Executivos e especialistas afirmam que a tendência, daqui para frente, ainda é de certa elevação de preços, mas a ritmo inferior. A avaliação é que não se pode falar de bolha imobiliária, já que existem razões para essa valorização. O professor da Ebape/FGV Francisco Barone ressalta que vivemos uma clássica situação de demanda maior que a oferta.

Há quem afirme, no entanto, que preços em áreas sobrevalorizadas, como na Zona Sul, podem cair, ainda que não se possa afirmar quando. Uma queda mais significativa de preços, dizem economistas, é mais certa depois das Olimpíadas de 2016.

A analista do setor de construção da Tendências Consultoria, Amaryllis Romano, considera provável um recuo em áreas muito valorizadas. Ela descarta, no entanto, uma bolha imobiliária.

- Bolha é resultado de especulação ou de uma alta de preços sem fundamentos, o que não ocorre hoje.

O publicitário Vianna Lima comprou imóvel este ano, mas teve que mudar seus planos. Morador de um apartamento de dois quartos na Barra da Tijuca, queria um imóvel maior no mesmo bairro. Diante dos preços altos, acabou comprando um apartamento no Recreio.

As cifras dos apartamentos novos também assusta. Levantamento da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ) mostra que o preço médio do metro quadrado de um apartamento de dois quartos lançado em Botafogo subiu 29,6% entre fevereiro de 2009 e julho deste ano, a R$ 4.880,50. O mais recente lançamento da Gafisa no bairro tinha preço inicial de R$ 580 mil, ou R$ 6.400 por metro quadrado. (G1)



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