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DF: Pesquisa acadêmica revela o perfil dos moradores de quitinetes no Plano Piloto

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Proximidade do local de trabalho ou estudo, preço do aluguel e localização do imóvel são as principais justificativas de quem escolhe esses imóveis com área reduzida

Morar no Plano Piloto é privilégio para poucos. Estima-se que apenas cerca de 8% da população do Distrito Federal resida em blocos e casas situados nas asas Sul e Norte do avião projetado por Lúcio Costa. A baixa oferta de imóveis tornou o metro quadrado da região um dos mais caros do país — o preço varia entre R$ 7 mil e R$ 9 mil. A grande demanda habitacional na localidade forçou o surgimento das chamadas quitinetes(1) — ou simplesmente kits. A Asa Norte é o principal reduto desses espaços imobiliários no Distrito Federal. Uma pesquisa acadêmica traçou os perfis das pessoas que moram nessas pequenas residências. O estudo foi feito com 57 moradores das comerciais das quadras 100, 200, 300 e 400 da Asa Norte. O trabalho de graduação desenvolvido pela estudante de Geografia da Universidade de Brasília Giselle Cândido Costa dividiu os residentes em três categorias principais: filhos de Brasília, novos migrantes e trabalhadores autônomos (veja arte).

Para o presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF), Adalberto Valadão, as quitinetes do Plano Piloto têm grande aceitação por conta da localização. “Nas grandes cidades, a dificuldade de locomoção é muito grande”, justifica. Com isso, as pessoas preferem morar perto do trabalho ou da faculdade — como também aponta o estudo da UnB.

A pesquisa mostra que os principais motivos que pesaram na escolha dos entrevistados foram a proximidade do local de trabalho ou estudo, o preço do aluguel e a localização. Dos 57 entrevistados, 17 tinham renda superior a R$ 1.200, mas não estavam dispostos a pagar os altos aluguéis das superquadras — a locação de um apartamento de um quarto pode chegar a R$ 2.200. A maioria dos moradores trabalhava e estava na faixa etária entre 20 e 29 anos. Além disso, o estudo identificou que boa parte dos moradores são solteiros e moram sozinhos.

Lucrativo
A grande procura tornou o negócio de quitinetes animador. “Quanto menor o imóvel, maior o resultado que você acaba tendo do ponto de vista de investimento”, analisa o presidente da Ademi. Só na Asa Norte, atualmente, estão disponíveis cerca de 520 unidades para venda ou aluguel. O preço do aluguel varia de R$ 650 a R$ 900 — sem a taxa de condomínio. Garagem e elevador são artigos de luxo e os prédios que contam com essas mordomias têm o valor mais alto. Se o imóvel for mobiliado, a locação pode chegar a R$ 1.900. O Sudoeste ocupa o segundo lugar em número de disponibilidade desse tipo de imóvel, no centro do DF, com 380 unidades à disposição da demanda. Já a Asa Sul tem um mercado mais restrito, com apenas 60 quitinetes prontas para compra ou locação.

“Para aluguel, a oferta é grande. Construíram novos espaços, principalmente na 912 Norte. Mas tanto na venda como no aluguel, investir em quitinete é dinheiro na mão”, acredita o vice-presidente administrativo do Sindicato da Habitação no Distrito Federal (Secovi – DF), Robson Cunha Moll.

Localização
O policial rodoviário federal Frank Jorge Borges Rodrigues, 37 anos, mora há quatro anos num espaço de 27 m². Desde quando veio transferido de Macapá para Brasília, o servidor público optou por viver em uma quitinete, na Asa Norte. Solteiro, Frank justifica a escolha. “É um imóvel dormitório. Escolhi aqui por ser próximo do meu trabalho, e eu odeio trânsito.”

O macapaense paga mensalmente pelo espaço cerca de R$ 800 — somados aluguel e condomínio. Com o dinheiro, o policial acredita que poderia morar em um imóvel maior, mas distante do serviço, hipótese que ele descarta. “Aqui eu tenho privacidade, ninguém fica tomando conta da minha vida. O que em outras regiões não existe. Por outro lado, tem a solidão”, avalia.

Frank se encaixa perfeitamente na categoria de moradores de quitinetes definida pela pesquisadora da UnB como novos migrantes: pessoas de outros estados que mudam para a capital da República e abrem mão do espaço pela infraestrutura da cidade. Na sua cidade natal, Frank morava em uma casa. Ele conta como conseguiu se adaptar a um espaço tão reduzido. “Primeiro você se acostuma com o espaço, depois aprende a otimizar o espaço. Não compro coisas que não preciso”, explica.

1 - Pequeno e integrado
A principal característica deste tipo de imóvel é o tamanho reduzido, que em média varia de 26 a 35 metros quadrados. Sala, cozinha, quarto e banheiro são integrados em um mesmo espaço. Em seu projeto original, não há divisão entres os cômodos. Os ambientes são modelados pela imobiliária ou morador. Gesso de parede ou os próprios móveis são utilizados para separar os espaços. Na escritura, a quitinete é definida como sala comercial. Mas o proprietário consegue reverter o Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) para residencial, que é de custo mais baixo.







"É um imóvel dormitório. Escolhi aqui por ser próximo do meu trabalho, e eu odeio trânsito"
Frank Jorge Borges Rodrigues, servidor público, que mora de aluguel em uma quitinete na Asa Norte




 


O número
R$ 1.900
Valor que o aluguel de uma quitinete mobiliada na Asa Norte pode alcançar


Pesquisa
57 entrevistados:

Sexo:
30 mulheres e 27 homens

Naturalidade:
17 são nascidos no Distrito Federal, 19 na Região Sudeste e 11 na Região Nordeste

Pessoas por domicílio:
31 moram sozinhas

Faixa etária:
entre 14 e 63 anos

Estado civil:
43 solteiros, três desquitados e 10 casados

Escolaridade:
33 frequentam a escola, 34 conclluíram o nível médio e 16, o nível superior

Atividades:
16 funcionários públicos, 9 autônomos e 14 vivem de mesada ou pensão


Fonte:(CooreioBraziliense)

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