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Aluguel mais caro em BH

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A inflação bateu à porta dos inquilinos em Belo Horizonte. Locatários que forem renovar os contratos de aluguéis residenciais na capital mineira vão pagar ao menos 30%, em média, a mais sobre o valor atual. O percentual é 15 vezes maior que a taxa anual de 1,94% do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) acumulada até abril, segundo dados da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG). O IGP-M é o indexador usado no cálculo de reajuste nos preços dos aluguéis.

"Para renovar o contrato de um apartamento de três quartos com aluguel médio de R$ 1,1 mil, o locatário vai pagar ao menos R$ 1,4 mil. Com certeza, o reajuste vai ser de, no mínimo, 30%", afirma o vice-presidente das administradoras de imóveis da CMI/Secovi-MG, Reinaldo Branco. Segundo ele, a alta nos aluguéis se dá basicamente por dois motivos: o aquecimento da economia no país e a migração de investidores para o mercado imobiliário, já que o setor estaria mais atrativo que outras aplicações. "Os investimentos que Belo Horizonte vai receber para a Copa do Mundo e, paralelamente, para as Olimpíadas vão aquecer ainda mais o mercado. Para se ter uma ideia, só com a construção do Centro Administrativo na Região Norte os imóveis em torno da local dobraram ou triplicaram de preço", compara.

Proprietários de imobiliárias de Belo Horizonte ratificam os números da CMI/Secovi-MG. De acordo com eles, a queda gradual do IGP-M , que em alguns meses já chegou a apresentar deflação, e o contrato estendido dos aluguéis - no mínimo 30 meses - fazem com que a média de reajuste no final do contrato supere em muito todos os índices inflacionários do país. "Se alugo hoje um apartamento e o reajuste anual se dá pelo IGP-M, daqui a dois anos e meio vou renogociá-lo com alta de 40% a 50%, dependendo da região", explica o dono da Sotão e presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Minas Gerais (Creci-MG), Paulo Vieira Tavares.

Para o dono da Lar Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues, a valorização dos imóveis em Belo Horizonte nos últimos três anos justifica o aumento médio de 30% na renovação dos contratos. "Os índices usados para reajustar o preço dos aluguéis não acompanham a valorização dos imóveis. Por exemplo, um apartamento que custava R$ 180 mil há três anos vale R$ 300 mil, alta de 65%. Os aluguéis seguem a movimentação do mercado", justifica.

Tanto Tavares quanto Rodrigues afirmam que, em suas empresas, o IGP-M foi colocado de lado na hora dos reajustes anuais. "Tive que trocá-lo (IGP-M) pelo Índice de Preço ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) e, mesmo assim, no final de 30 meses, vai ter defasagem", declara o dono da Sotão. Já Rodrigues diz que vários índices inflacionários são usados na Lar Imóveis para reajustar os contratos anuais. "Optamos sempre pelo maior, porque esses indexadores não traduzem a realidade do mercado de locação", afirma.

Mas não é só no final do contrato que o dragão assusta inquilinos. A média mensal dos aluguéis em Belo Horizonte também tem sofrido reajuste acima da inflação oficial de Belo Horizonte. Em março a elevação foi de 1,15% nos preços de aluguéis residenciais, enquanto o o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) da capital ficou em 0,24%, segundo dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG).

Localização
A inflação, segundo Reinaldo Branco, da CMI/Secovi-MG, está generalizada, mas, de acordo com ele, em bairros onde a oferta de locação é menor, como Santo Agostinho e Lourdes, a variação é maior. "Por exemplo, no Buritis, Estoril e Belvedere temos uma oferta maior e os preços tendem a ser mais competitivos. Mas há variação também de um bairro para outro", explica.

Funcionário de uma montadora, João Veloso sentiu na pele a alta dos preços dos aluguéis em BH nos últimos meses. Ele, que morava no Prado. precisou entregar o apartamento porque o dono do imóvel o vendeu para outra pessoa. "Pagava R$ 1.450 em uma cobertura em um prédio de três andares, com área externa. Procurei no bairro um apartamento similar, mas não consegui achar por menos de R$ 1,9 mil. Então, tive que mudar para o Buritis", relata. Segundo ele, a inflação também desembarcou no seu novo bairro. "Em novembro, aluguei a cobertura por R$ 1,3 mil. Mas o apartamento do primeiro andar foi alugado recentemente por esse valor", diz.(EstaMinas)


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