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De última fronteira verde a 10ª regional de BH

terça-feira, 30 de março de 2010

Conhecida como região do Isidoro, área preservada de 10 quilômetros quadrados, maior que o perímetro da avenida do contorno, deve ser transformada em novo polo de expansão da cidade e pode ganhar população superior à de Uberaba

Paisagem rural encravada na metrópole, região já sofre pressão de bairros do entorno e deve mudar bastante nos próximos anos

A última fronteira verde de Belo Horizonte está prestes a perder um pouco de sua cor e ganhar toneladas de concreto. Cortada pelo Ribeirão Isidoro, integrante da Bacia do Rio das Velhas, a imensidão de mata na Região Norte da capital deve receber em breve 300 mil habitantes. Para efeitos comparativos, o contingente supera a população de Uberaba, no Triângulo. A Prefeitura de BH pretende transformar o território, conhecido como Isidoro, derradeira grande área não ocupada da cidade, na 10ª regional de BH, abrindo as portas para a construção de 72 mil apartamentos, shopping center, hipermercado, escolas, postos de saúde, entre outras estruturas. A proposta altera padrões de urbanização de 10 quilômetros quadrados, dimensão superior à da Avenida do Contorno, que tem 8,9. Também mexe no berço onde tributários límpidos do Velhas e da Bacia do Rio São Francisco repousam, em meio à selva de pedra chamada BH. Nesta segunda-feira, às 9h, o Conselho Municipal de Políticas Urbanas (Compur) fará a primeira avaliação dos estudos de planejamento urbano da Região do Isidoro. Depois dessa etapa, o projeto ainda será encaminhado à apreciação da Câmara Municipal. Aberta ao público, a reunião será na sede da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, na Avenida Afonso Pena, 4.000.

Formado por propriedades particulares, por muito tempo o cinturão verde na divisa com o município de Santa Luzia ficou à mercê da ocupação irregular, sem qualquer intervenção do poder público. A implantação da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, a construção da Linha Verde, além da transformação do aeroporto de Confins em terminal industrial mudaram o perfil da região. De vazio circundado por bairros populares, como Ribeiro de Abreu, Tupi-Mirante e Zilah Spósito, sempre sob ameaça iminente de degradação ambiental, o Isidoro transformou-se em área cobiçada pelo mercado imobiliário. O motivo? A região está no Vetor Norte, novo eixo de desenvolvimento da região metropolitana.

A proposta da prefeitura leva em conta a nova realidade da área verde e põe toda a extensão sob o rótulo de operação urbana consorciada. Sob os termos de uma lei especial, o poder público coordenará, com a participação dos empreendedores, medidas para melhorar a infraestrutura, serviços básicos e a preservação ambiental. Em outras palavras, a prefeitura muda os parâmetros de ocupação: o Isidoro deixa de receber casas, em terrenos de até mil metros quadrados, para abrigar prédios em áreas de 5 mil metros quadrados. Já os proprietários se comprometem a dotar a área de infraestrutura e equipamentos públicos, num investimento total de R$ 1,07 bilhão.

O professor de planejamento urbano da Universidade Fumec, Maurity Sieiro, vê com entusiasmo o projeto. Segundo ele, a região é extremamente delicada por ser uma área particular e de grande importância ambiental. “Não tem jeito de a prefeitura transformar a área num grande parque, pois teria que desapropriar a terra e isso tem um custo elevado.” Mas o professor alerta que, sem a urbanização, há o risco de o Isidoro se transformar em uma grande favela. “É uma área muito suscetível a invasões, pois o Vetor Norte atrai população de baixa renda que não tem onde morar. O que a operação urbana faz é concentrar o coeficiente de aproveitamento (área construída em relação à área do terreno) nas áreas passíveis de parcelamento, já que a região é muito frágil do ponto de vista ambiental.”

Com as mudanças, a permissão para construir salta de 16,3 mil para 72 mil unidades habitacionais. Fala-se até no surgimento de um novo Belvedere III, em referência ao bairro da Região Centro-Sul que reúne edifícios de alto luxo. Os empreendedores serão obrigados a instalar 14 centros de saúde, 16 unidades de educação infantil, 21 escolas de ensino fundamental e oito do ensino médio, dois centros profissionalizantes, 17 terminais de ônibus, um de integração de transporte, dois auditórios, além da sede da administração regional, estrutura que atenderá uma população de 300 mil pessoas.

COPA 2014
Faz parte do acordo o empréstimo de 3 mil unidades habitacionais à prefeitura, durante a Copa do Mundo de 2014, para abrigar uma Vila Olímpica. Um décimo das construções também será destinado ao programa de habitação do governo federal Minha casa, minha vida. O sistema viário terá investimento de R$ 573 milhões, facilitando a circulação na região, cujos principais acessos são a Avenida Cristiano Machado e a MG-020. A Via 540, com 6,7 quilômetros, ligará os dois corredores viários. Já a Via Norte-Sul cortará a região, ligando a Via 540 aos bairros Jaqueline e Marize
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Outra condição é a implantação de dois parques. O Leste terá 2,3 milhões de metros quadrados, tornando-se o segundo maior de BH, atrás apenas do Parque das Mangabeiras, com 2,45 milhões de metros quadrados. Já o Oeste terá 500 mil metros quadrados, mais que o dobro da área do Parque Municipal. A proteção ambiental também está garantida em reservas particulares abertas ao público. O secretário municipal de Meio Ambiente, Ronaldo Vasconcellos, garante que nesse projeto não passará nada que não respeite o meio ambiente. “Sabemos que mais cedo ou mais tarde aquela área acabaria sendo ocupada. A solução menos traumática é a ocupação residencial com a proteção das áreas de preservação permanentes (APP) e a criação de parques.”, afirma.

Líder de governo na Câmara Municipal, o vereador Paulo Lamac (PT) espera convencer os vereadores da relevância do projeto. “Estamos tendo a oportunidade de planejar uma área grande em BH. A proposta mantém 44% da área totalmente preservada. A proposta possibilita que haja a verticalização das construções para aumentar a permeabilidade do terreno. Em vez de construir muitas casas, passa-se a construir menos prédios”, diz. Procuradas pelo Estado de Minas, as equipes das secretarias municipais de Políticas Urbanas e de Governo, que comandam o projeto, não comentaram o assunto.(PortalUai-EM)

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